quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Palpites para o US Open 2012
A 125ª edição do US Open de tênis ocorrerá dos dias 27 de agosto ao dia 9 de setembro. O torneio aconteceu pela primeira vez em 1881 e é disputado em quadras hard, em Newport, Rhode Island. O torneio feminino foi disputado pela primeira vez em 1887. Em 1903, Lawrence Doherty é o primeiro estrangeiro a vencer o torneio. Em 1919, o torneio é transferido para a cidade de Nova York, e em 1926 um francês, René Lacoste, torna-se o primeiro estrangeiro não falante do inglês a triunfar no US Open.
O torneio foi disputado em quadras de grama até 1974, depois em saibro verde entre 1975 e 1977. Em 1997, o estádio Arthur Ashe é inaugurado, podendo acolher 23 500 espectadores, o maior do mundo.
Os maiores campeões são Richard Sears, William Larned e Bill Tilden, todos com sete títulos.
Curiosamente, é o único Slam em que o quinto set possui tie break.
Eu mantenho as esperanças que este torneio, o mais valioso em termos de premiação, consiga uma melhor organização depois da "várzea" do ano passado, devido às chuvas constantes. Este inconveniente natural obrigou, pelo segundo ano seguido, a final masculina de simples ser disputada apenas na segunda-feira, e jogos de fases anteriores tiveram que ser disputados em dias consecutivos devido à chuva, impossibilitando aos tenistas o tradicional dia de descanso em Grand Slams. Mantenho as esperanças também de que é possivel sim, cobrir a Arthur Ashe. Sem falar dos problemas de infiltração em algumas quadras devido à estas...
Vamos aos palpites sobre os principais tenistas:
Roger Federer
Ele dispensa apresentações. Vindo do pentacampeonato em Cincinnati e do hepta em Wimbledon e ter recuperado o nº1 e quebrar o recorde de Sampras, o suíço, aos 31 anos, vem jogando de uma maneira tão competente quanto jogou na sua "era de ouro". Seus slices estão mais letais do que nunca, está seguro no saque, e seu ponto fraco, o backhand, também deu uma evoluída. A chave do suíço está boa. Estreará contra Donald Young, um jogador talentoso, mas que perdeu 18 das últimas 19 partidas, quase quebrando o recorde negativo de Vincent Spadea(21). Poderá enfrentar Berdych nas quartas, Murray nas semis e Djokovic na final.
Andy Murray
Considero o britânico o segundo favorito porque, apesar das eliminações precoces em Toronto e Cincinnati(na verdade, desistiu no Canadá), acredito que foram resultado de uma "empolgação pós-ouro olímpico", já que diante do feito acho que jogou um pouco fora de foco, sem saber o tamanho do enorme feito que havia conseguido. Acredito que este voltará focado, e certamente poderá repetir o desempenho. Jogando agressivamente, focado, confiante, com um saque potente será muito difícil pará-lo. Já achei bem provável ele ganhar Wimbledon, o que não ocorreu, embora isto só após os acontecimentos da primeira semana.
Dessa vez, vejo que o atual campeão olímpico está mais amadurecido, certamente aprendeu muito com Ivan Lendl, e o sonho de vencer seu primeiro Slam está mais vivo do que nunca! Mas, para isso, provavelmente terá de passar por Raonic nas oitavas e Tsonga nas quartas.
Novak Djokovic
Apesar do sérvio ser o atual campeão em Nova York e ser o favorito nas casas de apostas, o considero "apenas" o terceiro favorito. Este venceu em Toronto, mas ali era sua obrigação, pois não havia nenhum top 4 no seu caminho e acredito que este torneio não serviu de parâmetro. Este, em Cincinnati, levou um baile de Federer no primeiro set da final, com duplas faltas despretensiosas, cometendo muitos erros e aparentando estar desconcentrado. Embora tenha perdido o set seguinte num tie break equilibrado, acho que seu mental ainda não está em dia devido a seus problemas pessoais, e a derrota na Olimpíada e em Cincinnati. Acredito que este só estará 100% competitivo quando este problema estiver superado. Sei que pode jogar bem mais do que vem jogando... Deverá ter um estreia facil e em seguida poderá enfrentar Rogério Dutra da Silva. Se acontecer, será muito bom para o brasileiro pegar experiência contra um top 10 e jogar na Arthur Ashe...
Juan Martin Del Potro
Campeão do US Open 2009, o argentino se lesionou pouco depois, passou bastante tempo inativo, sofreu uma queda brusca no ranking, mas já voltou ao top 10. Vinha jogando muito bem, deu trabalho para o Federer em Roland Garros e nas Olimpíadas, inclusive se tornou o segundo tenista argentino a conseguir uma medalha olímpica, com o bronze conquistado em cima de Djokovic. Sofreu uma lesão no punho, pôs em dúvida sua presença em Nova York, mas deve jogar. Mas vamos ver até onde ele aguenta ir com esse incômodo. Este é dono de um forehand poderoso, e, num dia em que estiver acertando tudo, já vimos o que este é capaz de fazer. Este estreará contra o compatriota David Nalbandian, no que promete ser um jogo interessante.
Thomaz Bellucci
Deu sorte o paulista no sorteio. Este certamente vem evoluindo, após os títulos em Braunschweig e o bi em Gstaad. Mais firme mentalmente, vem se dando bem em momentos delicados, mas ainda falta mais técnica ao seu jogo, melhorar nas subidas à rede, não trocar muitas bolas e usar mais slices. O seu saque sim, está em dia. O brasileiro enfrentará Andujar na estreia, um freguês, poderá enfrentar Haase ou Lopez na rodada seguinte e, se passar Andy Murray. O paulista venceu o único confronto contra o atual campeão olímpico ano passado em Madri.
Demais tenistas
Com a ausência de Rafael Nadal, David Ferrer deverá ter um caminho mais fácil até as quartas, e acredito que não passará desta. Ele tem jogo para vencer qualquer um, mas falta o mental necessário em certos momentos.
Tsonga tem um jogo de força, mas o mental é outro obstáculo a ser superado também.
Tomas Berdych aparentemente vem em queda livre desde Madri. Depois de perder a final para Federer, foi eliminado precocemente em Wimbledon, na Olimpíada, e nos dois Masters do US Open Series.
Mardy Fish é a principal esperança americana, e a pressão da torcida poderá pesar em momentos delicados.
Não podemos esquecer de jovens como Milos Raonic e outros, que são muito perigosos nestas superfícies mais rápidas, podem vencer os top 4, mas ainda falta um pouco mais de experiência, talvez, para isto ocorrer.
Podemos esperar duas semanas de muito tênis, emoção, e,(tomara) dias ensolarados!
domingo, 19 de agosto de 2012
O favorito
Roger Federer derrotou Novak Djokovic por 2 sets a 0 e conquistou o pentacampeonato em Cincinnati. Com direito a passeio e "pneu" no primeiro set, não resta dúvidas que o suíço é o grande favorito no US Open de logo mais.
Sem tirar os méritos da conquista de Djokovic em Toronto na semana passada, acho que aquele torneio não serviu como parâmetro pois o sérvio era o único top 4 ali presente, e sendo assim cumpriu sua "obrigação" em vencer o torneio.
Evidente é a diferença mental entre o atual Djokovic e aquele do ano passado. Passando por problemas pessoais, provavelmente o fim do relacionamento com Jelena Ristic(notaram a ausência desta na torcida esta semana?), o sérvio em alguns momentos mostra-se desconcentrado, instável e mentalmente desequilibrado. Pelo jeito, quem viu aquele Djokovic 2011, viu, quem não viu, não verá mais.
Federer esteve arrasador nos seis primeiros games. Em apenas 20 minutos, já liderava por um set de vantagem, com diversos erros de Djokovic, inclusive duplas faltas despretensiosas.No segundo set, o sérvio voltou a jogar bem, e Federer fechou a partida num tie break disputado, onde abriu 3/0, permitiu a virada do adversário, mas no fim fechou em 9/7.
Assim, o suíço conquistou o 76º título da carreira, está a um de igualar John McEnroe, se tornou o maior vencedor da história do Masters de Cincinnati, e mais uma vez igualou Rafael Nadal com 21 títulos de Masters 1000.
Curiosamente, Federer x Djokovic se enfrentaram nos dois últimos US Open, com vitória do sérvio em ambas salvando match points. Mas, nestes dois anos, o sérvio vinha em um ano melhor.
Percebemos o quanto problemas pessoais atrapalham a vida de um tenista, Rafael Nadal que o diga em 2009, quando precisou lidar com a separação de seus pais. Na hora em que voltou a ter um equilíbrio emocional, voltou voando, e fez a melhor temporada da carreira. Pelo bem do tênis, espero ver Djokovic com o mental em dia em breve.
Assim, Federer é o favorito para levantar o troféu pela sexta vez em Nova York. O segundo favorito pra mim é Andy Murray, que apesar de não ter feito uma boa campanha esta semana, acredito que estará bem mais descansado para o último Slam do ano, e certamente virá muito confiante após a campanhe espetacular na Olimpíada, sendo coroado com o ouro no final. Novak Djokovic, como sempre, é um dos favoritos, mas terá que melhorar seu jogo em alguns aspectos.
Roger Federer, 31 anos recém-completados, jogando como não jogava há muito tempo. Quem é rei nunca perde a majestade...
domingo, 5 de agosto de 2012
Furioso
Andy Murray dessa vez passeou pela grama sagrada de Wimbledon. Com o placar de 6/2, 6/1 e 6/4, empurrado pela fanática torcida o britânico atropelou Roger Federer, heptacampeão de Wimbledon, vingando de forma maiúscula a derrota sofrida no mês passado, e faturou o ouro olímpico em simples na Olimpiada de Londres, igualando-se ao britânico Arthur Gore, que fez o mesmo nos Jogos de 1908.
De cara, o escocês precisou salvar dois break points no game inicial. Mas, pouco a pouco, foi tomando as rédeas da partida, aproveitando de subidas erradas do suíço, e fechou o set em 6/2.
O décimo primeiro game foi o divisor de águas da partida. Após salvar 6 BPs, já com uma quebra de vantagem no segundo set, Murray confirmou e abriu 3/0. Situação parecida aconteceu na final de Wimbledon, mas lá Federer conseguiu a quebra e cresceu na partida. Assim, Murray venceu nove games seguidos entre o primeiro e segundo set, fechando a segunda parcial em 6/1.
Ele estava a um set da glória. Jogava inspirado, como se tivesse arrumado força digna dos deuses gregos, tamanha agressividade, ousadia, confiança, fúria, e como a bola fora mal tratada neste domingo na capital inglesa...
Nas cordas, Federer melhorou consideravelmente no saque no terceiro set. Mas, com o adversário inspirado, sucumbiu no quinto game deste set, viu o escocês abrir 4/2, e fechar o jogo em 6/4.
Para o suíço, fica a frustração de não conquistar o único título que lhe faltava. Às vésperas de completar 31 anos, acho bem inviável que este venha ao Rio na próxima Olimpíada tentar novamente, já que eestará com uma idade bem avançada para isto.
Andy Murray sempre foi motivo de piada entre os fãs de tênis. Chamado de "amarelão", por nunca ter vencido um Slam, e ser um pouco desequilibrado mentalmente, o britânico, hoje, está mais "amarelado" do que nunca. Agora, tenho certeza que será respeitado por todos, e amarelo como está hoje, ou melhor está coberto de ouro, dignamente, pois sua conquista foi incontestável. Ele merece, por tudo que já passou.
Andy Murray enfim, venceu Roger Federer numa melhor de 5 sets. E que vitória! Certamente será um dos grandes favoritos quando o US Open começar..
O grande trunfo do escocês hoje, foi ter salvado 8 break points, algo que não aconteceu na final de Wimbledon mês passado. Parabéns a Ivan Lendl, méritos dele por melhorar ainda mais um tenista que já era muito bom, no qual só faltava um pouquinho a mais para este deslanchar de vez, e vimos hoje que não falta mais nada agora...
Andy Murray não tem nenhum título de Major, até agora. Mas ele é campeão olímpico, tão campeão quanto tantos outros esportistas em outras modalidades. Esta, é sem dúvida, a maior glória que um atleta pode ter. Hoje, até a Rainha Elizabeth II se curvaria ao britânico. Hoje, ele está no topo!
Andy Murray comemorando o título.
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
A hora da revanche?
Roger Federer e Andy Murray, pouco tempo após decidirem a final de simples de Wimbledon este ano, reeditarão a final na competição esportiva mais antiga da humanidade. A Olimpíada, cuja surgimento ocorreu na Grécia Antiga, como uma forma de homenagear os deuses, é a competição esportiva mais importante do mundo. E, nela,só um conquistará o ouro olímpico, e consequentemente a maior glória que um atleta pode alcançar. O campeonato de tênis está sendo disputado na grama sagrada do All England Club, em Wimbledon, certamente o Monte Olimpo do tênis.
O suíço, que vem de uma vitória dramática de virada sobre Juan Martin Del Potro, vencendo o último set por 19/17, já que não há tiebreak no set decisivo. Na Olimpíada, só a final masculina é disputada em melhor de 5 sets. Este tentará o último título que falta a sua gloriosa carreira, pois já conquistou 17 Grand Slams, 20 Masters 1000 e mais alguns ATP Finals. No último mês, igualou-se a Pete Sampras e Willian Renshaw com 7 títulos no Slam londrino, e quebrando o recorde de semanas consecutivas na liderança do ranking do próprio Sampras. Assim, provavelmente sepultou de vez as dúvidas sobre quem é o melhor tenista de todos os tempos. O suíço precisou correr atrás do placar hoje, na partida que acabou por se tornar a mais longa da história olímpica: 4 horas e 26 minutos de duração. No terceiro set, houveram inúmeros 0/30, rapidamente contornados ora com excelentes saques, ora com pancadas indenfensáveis cruzadas por parte do argentino.
Andy Murray é aquele jogador extremamente talentoso, mas que falta algo a mais para este deslanchar de vez no circuito. Este já venceu Masters 1000, chegou a quatro finais de Slam, mas perdeu todas, três delas para Federer. O mental, um verdadeiro obstáculo que separava este dos três primeiros do ranking atual, parece finalmente estar sendo superado. Desde que passou a ser treinado por Ivan Lendl, o escocês vem evoluindo, e mostrou isso hoje ao derrotar o campeão de Wimbledon de 2011 Novak Djokovic por duplo 7/5, jogando de maneira agressiva, corajosa e confiante. Resta agora ao sérvio tentar a medalha de bronze contra Del Potro.
Foi de partir o coração o discurso do britânico após cair diante de Federer em Wimbledon. Seus conterrâneos não presenciam um "igual" levantar o troféu do torneio desde Fred Perry, em 1936, mas mostraram grande respeito ao suíço durante a cerimônia de premiação.
Mais uma vez, Andy Murray terá a torcida a seu favor. Diria que ter jogado duas horas a menos que Federer, às vésperas de completar 31 anos, poderia influenciar no resultado final em caso de um jogo longo, mas este jogará duplas mistas neste sábado. Então, o jogo será decidido no saque. Na grama, esta é a maneira mais rápida de definir os pontos e evitar trocas de bola. Neste caso, o escocês vem muito bem neste aspecto. O ponto fraco do suíço, é como sempre, seu revés.
Jogos memoráveis ocorreram durante esta semana. O fato do jogo ser melhor de 3 sets tornava o torneio mais suscetível a zebras, como a vitória de Nishikori sobre Ferrer, o "susto" que os tenistas top levaram, perdendo um set, mas mostraram porque são diferenciados, virando a partida, algumas dramáticas.
Certamente será um jogaço. Federer, que garantiu o número 1 após a queda de Djokovic, tentará o último título que lhe resta, e Andy Murray tentará se vingar da derrota sofrida no mês passado, no mesmo palco, diante de sua torcida, e tem chances reais de conseguir.
O suíço, que vem de uma vitória dramática de virada sobre Juan Martin Del Potro, vencendo o último set por 19/17, já que não há tiebreak no set decisivo. Na Olimpíada, só a final masculina é disputada em melhor de 5 sets. Este tentará o último título que falta a sua gloriosa carreira, pois já conquistou 17 Grand Slams, 20 Masters 1000 e mais alguns ATP Finals. No último mês, igualou-se a Pete Sampras e Willian Renshaw com 7 títulos no Slam londrino, e quebrando o recorde de semanas consecutivas na liderança do ranking do próprio Sampras. Assim, provavelmente sepultou de vez as dúvidas sobre quem é o melhor tenista de todos os tempos. O suíço precisou correr atrás do placar hoje, na partida que acabou por se tornar a mais longa da história olímpica: 4 horas e 26 minutos de duração. No terceiro set, houveram inúmeros 0/30, rapidamente contornados ora com excelentes saques, ora com pancadas indenfensáveis cruzadas por parte do argentino.
Andy Murray é aquele jogador extremamente talentoso, mas que falta algo a mais para este deslanchar de vez no circuito. Este já venceu Masters 1000, chegou a quatro finais de Slam, mas perdeu todas, três delas para Federer. O mental, um verdadeiro obstáculo que separava este dos três primeiros do ranking atual, parece finalmente estar sendo superado. Desde que passou a ser treinado por Ivan Lendl, o escocês vem evoluindo, e mostrou isso hoje ao derrotar o campeão de Wimbledon de 2011 Novak Djokovic por duplo 7/5, jogando de maneira agressiva, corajosa e confiante. Resta agora ao sérvio tentar a medalha de bronze contra Del Potro.
Foi de partir o coração o discurso do britânico após cair diante de Federer em Wimbledon. Seus conterrâneos não presenciam um "igual" levantar o troféu do torneio desde Fred Perry, em 1936, mas mostraram grande respeito ao suíço durante a cerimônia de premiação.
Mais uma vez, Andy Murray terá a torcida a seu favor. Diria que ter jogado duas horas a menos que Federer, às vésperas de completar 31 anos, poderia influenciar no resultado final em caso de um jogo longo, mas este jogará duplas mistas neste sábado. Então, o jogo será decidido no saque. Na grama, esta é a maneira mais rápida de definir os pontos e evitar trocas de bola. Neste caso, o escocês vem muito bem neste aspecto. O ponto fraco do suíço, é como sempre, seu revés.
Jogos memoráveis ocorreram durante esta semana. O fato do jogo ser melhor de 3 sets tornava o torneio mais suscetível a zebras, como a vitória de Nishikori sobre Ferrer, o "susto" que os tenistas top levaram, perdendo um set, mas mostraram porque são diferenciados, virando a partida, algumas dramáticas.
Certamente será um jogaço. Federer, que garantiu o número 1 após a queda de Djokovic, tentará o último título que lhe resta, e Andy Murray tentará se vingar da derrota sofrida no mês passado, no mesmo palco, diante de sua torcida, e tem chances reais de conseguir.
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Crítica de "Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge"
A história do Homem-Morcego nos cinemas começa no ano de 1989. Tim Burton dirigiu os dois primeiros filmes, com Michael Keaton no papel de Bruce Wayne. O primeiro filme, "Batman", e "Batman-O Retorno", trouxeram vilões clássicos do herói para os cinemas, como Coringa, Pinguim e Mulher-Gato. Os dois filmes foram satisfatórios, e o primeiro, inclusive, venceu o Oscar de melhor direção de arte, e destaque para as atuações de Jack Nicholson como o Coringa e Michelle Pfeiffer como a Mulher-Gato. Antes, houve o filme com os atores da série de TV, Adam West e Burt Ward, mas era uma versão bem mais cartunesca deste.
Aí, veio Joel Schumacher com "Batman Eternamente". O papel de Bruce Wayne ficou agora com Vak Kilmer. Apesar da boa atuação de Jim Carrey como Charada, este filme foi bem inferior aos seus antecessores, por ser muito "colorido", artificial, e com uma história bastante infantil. E, contrariando a "célebre" frase do deputado Tiririca, "pior do que tá, fica." Eis que em 1997 Joel Schumacher nos traz "Batman e Robin", um filme cuja fantasia do Homem Morcego e de Robin parecia mais fantasias de Carnaval, onde vimos um Bane cheio de músculos e acéfalo, uma Gotham nada realista, era uma cidade totalmente artificial, sem falar dos inacreditáveis mamilos na fantasia, e a BatGirl originalmente, ser filha do Comissário Gordon, e neste filme, é a sobrinha do Mordomo Alfred, sem falar nos personagens bastante cartunescos Mr. Freeze e Hera Venenosa, vividos por Arnold Schwarzenegger e Uma Thurman, respectivamente. Merecidamente foi indicado para o Framboesa de Ouro em 11 categorias.(o "Oscar" dos piores filmes do ano.)
Mas, em 2005, coube a Christopher Nolan reiniciar toda a franquia do guardião de Gotham. Christian Bale, de "Psicopata Americano", estava na pele do bilionário dono das Empresas Wayne. O diretor, com uma abordagem sombria e com um visual remetente ao dos quadrinhos, nos mostrou a origem do Homem Morcego desde o assassinato dos seus pais, a "formação" deste na Liga das Sombras, e como ele usou o morcego, um animal no qual sentia medo, para provocar medo nos outros. Então, numa história que mescla aventura e filme policial, Nolan enfim nos mostrou aquele Batman que todos queriam ver. Ra's Al Ghul, o líder da Liga das Sombras, já dizia: “Se você se tornar mais do que um simples homem, se você se dedicar a um ideal e se eles não puderem parar você, então você se torna algo totalmente diferente…. uma lenda, Sr. Wayne. Então, presenciamos o surgimento da "lenda", que consegue impedir a destruição de Gotham pelo medo, e impedir os planos do Espantalho. Destaque também para Gary Oldman como o Comissário Gordon, Michael Caine como Alfred, e Morgan Freeman como Lucius Fox, uma espécie de agente "Q" para o Batman.
Depois do ótimo primeiro filme, "Batman-O Cavaleiro das Trevas"(2008) foi ainda mais espetacular. Com uma verdadeira história policial, Heath Ledger, que faleceu poucos meses antes do filme estrear nos cinemas, fez uma das melhores atuações da história do cinema como o Coringa, um lunático anarquista, que tinha um plano complexo para destruir o Batman, seja mesmo no seu tom de voz, no seu olhar. Alguns frases célebres do personagem, como "Aquilo que não nos mata, nos torna mais estranho", é uma frase clara de como ele usou provavelmente um trauma do passado(possui o rosto com cicatrizes e usa uma maquiagem para escondê-las) para pôr em prática sua loucura. Este mesmo vilão conseguiu trazer o melhor dentre os "caras da lei", o promotor Harvey Dent, que junto com o Comissário Gordon e Batman colocavam em prática um plano para por toda a máfia atrás das grades. O plano vai bem, até o Coringa começar a atacar entes queridos do promotor, e ao mesmo tempo, do Batman. Também presenciamos um lado bem mais humano de Bruce Wayne. Este está em busca de "um herói sem máscara", a acredita que um dia Gotham não precisará mais de seu guardião, e que neste dia Rachel, sua amiga de infância, pela qual este nutre um sentimento especial, estaria ao seu lado. Com o Coringa pondo seu plano em prática, ele acaba levando o promotor à loucura, segundo o próprio, "rebaixando o melhor entre os defensores da lei, e rebaixando até o seu nível. Segundo este, "a loucura é como a gravidade, só precisa de um empurrãozinho". Este ser anarquista, que não mede esforços para ver a cidade de Gotham ruir, acaba "vencendo" no final, pois Harvey Dent, que sofrera uma queimadura na metade do rosto graças a um plano do Coringa, havia ficado com sua face parcialmente queimada. Interessante o jogo de luzes do diretor Nolan na cena final. Metade do rosto do ator Aaron Eckhart está no claro, e seu outro lado, está no escuro. O agora vilão Harvey Dent, chamado de "Duas Caras", acaba sucumbindo no final, sendo derrotado pelo Batman após tentar matar a família de Gordon, por culpar o comissário pela morte de Rachel. Na tentativa de manter a cidade de Gotham com seu "herói sem máscara", Batman faz um acordo com o comissário Gordon que irá assumir a autoria do assassinato de Harvey Dent, para que a cidade continua acreditando em um homem comum. Então, vemos na cena final o questionamento de uma criança sobre o que é o Batman e a resposta célebre do Comissário Gordon: "Ele não é o heroi que Gotham precisa, mas o que ela merece. Ele não é um herói. É um guardião silencioso. Um protetor zeloso. Um Cavaleiro das Trevas. Não por menos, Heath Ledger ganhou o Oscar póstumo de melhor ator coadjuvante. Lembrando a excelente atuação de Maggie Gyllenhaal, substituindo Katie Holmes neste filme. A primeira conseguiu dar o tom de carga dramático necessário a personagem, algo que a ex-mulher de Tom Cruise não foi bem sucedida.
Também presenciamos neste filme a relação Bruce-Alfred. O bilionário e seu patrão têm uma verdadeira relação pai-filho, seja com discussões semelhantes a este nível, conselhos e decisões tomadas.
A partir deste ponto, o texto pode conter spoilers.
E, no último filme da trilogia, Batman-O Cavaleiro das Trevas Ressurge, que se passa oito anos após os eventos do filme anterior, vemos Bruce Wayne o tempo todo recluso na sua reconstruída Mansão Wayne, fora da vida pública, o que causa rumores sobre sua sanidade mental. É o aniversário de morte de Harvey Dent, e Gotham City vive um tempo de paz, graças a um lei com o nome do ex-promotor de Gotham bastante eficaz na luta contra o crime. Mas, vemos Bane, interpretado por Tom Hardy, um vilão dotado de músculos, mas não privado de inteligência, com um plano de destruir a maior cidade do planeta através de um plano muito bem estruturado a partir de seu subterrâneo. E é quando somos apresentados a Mulher Gato, vivida por Anne Hathaway, que Bruce Wayne resolve voltar à ativa. Bane tem um plano para com o povo de Gotham, usando um discurso populista, prometendo devolver o poder ao povo, relembrando a época da Revolução Francesa em 1789, e presenciamos uma luta de classes. Quanto a Mulher Gato, só mais a frente fica claro quais as reais intenções desta. Neste filme, somos apresentados ao policial John Blake, cujo passado guarda muitas semelhanças com o Homem Morcego, e Miranda Tate. Esses dois personagens são vitais para o fim da trilogia.
Vimos o surgimento, a queda, e a ascensão da lenda. Quando o vilão convence ao povo a lutar por algo que não é o que parece ser, qual seria a consequência para a população quando esta descobre que viveram por um bom tempo acreditando numa farsa? Batman terá que lidar com este problema, e tem sua recompensa recebida. O final é tão sensacional e com atuações tão memoráveis neste momento do filme, que sempre ficaremos com um gostinho de quero mais. Pontas soltas foram deixadas. A lenda do Batman chega ao seu fim, de maneira épica, espetacular. O guardião de Gotham enfim tem a sua reputação recebida. Christopher Nolan nos mostrou o Batman que queríamos ver, um herói, ao contrário de outros, de carne e osso, que luta por um ideal, e histórias e vilões bastante humanizados, com temas bem contemporâneos, personagens memoráveis, e sem dúvidas, uma conclusão extraordinária, sendo este o melhor da trilogia. Cenas de ação inesquecíveis, em especial uma das lutas de Batman contra Bane, onde na qual presenciamos o desenrolar da luta, e o único som é a água do rio correndo ao fundo. Destaque também para a sequência do prólogo, de tirar o fôlego.
A trilha sonora de Hans Zimmer merece um parágrafo a parte. Este conseguiu superar o espetacular trabalho feito no filme anterior, dando um tom melancólico ao filme em certas cenas.
Christopher Nolan fecha a trilogia com chave de ouro. Um filme épico, com cenas de ação fantásticas, e com carga emocional presente. A lenda do Batman chega ao fim, mas será esta a única lenda que Gotham já presenciou ou poderão vir mais?
Nota: 10
P.S. Como prometido pelo diretor, o Coringa não é citado uma única vez neste filme, como forma de preservar a memória de Heath Ledger. O que eu vejo por aí são muitos comparando o Coringa com Bane. Mas não é possível compará-los, são personagens bem distintos. O único fato é que cada um, ao seu modo, estará para sempre marcado na história do cinema.
Curiosamente, o nome "Mulher Gato" jamais é mencionado no filme.
Ah, os fãs do Batman se lembrarão de ligações diretas com a HQ "A queda do morcego",dentre outras...
Abaixo, os comentários muito coerentes do crítico Pablo Villaça sobre a cena final do filme.
Aí, veio Joel Schumacher com "Batman Eternamente". O papel de Bruce Wayne ficou agora com Vak Kilmer. Apesar da boa atuação de Jim Carrey como Charada, este filme foi bem inferior aos seus antecessores, por ser muito "colorido", artificial, e com uma história bastante infantil. E, contrariando a "célebre" frase do deputado Tiririca, "pior do que tá, fica." Eis que em 1997 Joel Schumacher nos traz "Batman e Robin", um filme cuja fantasia do Homem Morcego e de Robin parecia mais fantasias de Carnaval, onde vimos um Bane cheio de músculos e acéfalo, uma Gotham nada realista, era uma cidade totalmente artificial, sem falar dos inacreditáveis mamilos na fantasia, e a BatGirl originalmente, ser filha do Comissário Gordon, e neste filme, é a sobrinha do Mordomo Alfred, sem falar nos personagens bastante cartunescos Mr. Freeze e Hera Venenosa, vividos por Arnold Schwarzenegger e Uma Thurman, respectivamente. Merecidamente foi indicado para o Framboesa de Ouro em 11 categorias.(o "Oscar" dos piores filmes do ano.)
Mas, em 2005, coube a Christopher Nolan reiniciar toda a franquia do guardião de Gotham. Christian Bale, de "Psicopata Americano", estava na pele do bilionário dono das Empresas Wayne. O diretor, com uma abordagem sombria e com um visual remetente ao dos quadrinhos, nos mostrou a origem do Homem Morcego desde o assassinato dos seus pais, a "formação" deste na Liga das Sombras, e como ele usou o morcego, um animal no qual sentia medo, para provocar medo nos outros. Então, numa história que mescla aventura e filme policial, Nolan enfim nos mostrou aquele Batman que todos queriam ver. Ra's Al Ghul, o líder da Liga das Sombras, já dizia: “Se você se tornar mais do que um simples homem, se você se dedicar a um ideal e se eles não puderem parar você, então você se torna algo totalmente diferente…. uma lenda, Sr. Wayne. Então, presenciamos o surgimento da "lenda", que consegue impedir a destruição de Gotham pelo medo, e impedir os planos do Espantalho. Destaque também para Gary Oldman como o Comissário Gordon, Michael Caine como Alfred, e Morgan Freeman como Lucius Fox, uma espécie de agente "Q" para o Batman.
Depois do ótimo primeiro filme, "Batman-O Cavaleiro das Trevas"(2008) foi ainda mais espetacular. Com uma verdadeira história policial, Heath Ledger, que faleceu poucos meses antes do filme estrear nos cinemas, fez uma das melhores atuações da história do cinema como o Coringa, um lunático anarquista, que tinha um plano complexo para destruir o Batman, seja mesmo no seu tom de voz, no seu olhar. Alguns frases célebres do personagem, como "Aquilo que não nos mata, nos torna mais estranho", é uma frase clara de como ele usou provavelmente um trauma do passado(possui o rosto com cicatrizes e usa uma maquiagem para escondê-las) para pôr em prática sua loucura. Este mesmo vilão conseguiu trazer o melhor dentre os "caras da lei", o promotor Harvey Dent, que junto com o Comissário Gordon e Batman colocavam em prática um plano para por toda a máfia atrás das grades. O plano vai bem, até o Coringa começar a atacar entes queridos do promotor, e ao mesmo tempo, do Batman. Também presenciamos um lado bem mais humano de Bruce Wayne. Este está em busca de "um herói sem máscara", a acredita que um dia Gotham não precisará mais de seu guardião, e que neste dia Rachel, sua amiga de infância, pela qual este nutre um sentimento especial, estaria ao seu lado. Com o Coringa pondo seu plano em prática, ele acaba levando o promotor à loucura, segundo o próprio, "rebaixando o melhor entre os defensores da lei, e rebaixando até o seu nível. Segundo este, "a loucura é como a gravidade, só precisa de um empurrãozinho". Este ser anarquista, que não mede esforços para ver a cidade de Gotham ruir, acaba "vencendo" no final, pois Harvey Dent, que sofrera uma queimadura na metade do rosto graças a um plano do Coringa, havia ficado com sua face parcialmente queimada. Interessante o jogo de luzes do diretor Nolan na cena final. Metade do rosto do ator Aaron Eckhart está no claro, e seu outro lado, está no escuro. O agora vilão Harvey Dent, chamado de "Duas Caras", acaba sucumbindo no final, sendo derrotado pelo Batman após tentar matar a família de Gordon, por culpar o comissário pela morte de Rachel. Na tentativa de manter a cidade de Gotham com seu "herói sem máscara", Batman faz um acordo com o comissário Gordon que irá assumir a autoria do assassinato de Harvey Dent, para que a cidade continua acreditando em um homem comum. Então, vemos na cena final o questionamento de uma criança sobre o que é o Batman e a resposta célebre do Comissário Gordon: "Ele não é o heroi que Gotham precisa, mas o que ela merece. Ele não é um herói. É um guardião silencioso. Um protetor zeloso. Um Cavaleiro das Trevas. Não por menos, Heath Ledger ganhou o Oscar póstumo de melhor ator coadjuvante. Lembrando a excelente atuação de Maggie Gyllenhaal, substituindo Katie Holmes neste filme. A primeira conseguiu dar o tom de carga dramático necessário a personagem, algo que a ex-mulher de Tom Cruise não foi bem sucedida.
Também presenciamos neste filme a relação Bruce-Alfred. O bilionário e seu patrão têm uma verdadeira relação pai-filho, seja com discussões semelhantes a este nível, conselhos e decisões tomadas.
A partir deste ponto, o texto pode conter spoilers.
E, no último filme da trilogia, Batman-O Cavaleiro das Trevas Ressurge, que se passa oito anos após os eventos do filme anterior, vemos Bruce Wayne o tempo todo recluso na sua reconstruída Mansão Wayne, fora da vida pública, o que causa rumores sobre sua sanidade mental. É o aniversário de morte de Harvey Dent, e Gotham City vive um tempo de paz, graças a um lei com o nome do ex-promotor de Gotham bastante eficaz na luta contra o crime. Mas, vemos Bane, interpretado por Tom Hardy, um vilão dotado de músculos, mas não privado de inteligência, com um plano de destruir a maior cidade do planeta através de um plano muito bem estruturado a partir de seu subterrâneo. E é quando somos apresentados a Mulher Gato, vivida por Anne Hathaway, que Bruce Wayne resolve voltar à ativa. Bane tem um plano para com o povo de Gotham, usando um discurso populista, prometendo devolver o poder ao povo, relembrando a época da Revolução Francesa em 1789, e presenciamos uma luta de classes. Quanto a Mulher Gato, só mais a frente fica claro quais as reais intenções desta. Neste filme, somos apresentados ao policial John Blake, cujo passado guarda muitas semelhanças com o Homem Morcego, e Miranda Tate. Esses dois personagens são vitais para o fim da trilogia.
Vimos o surgimento, a queda, e a ascensão da lenda. Quando o vilão convence ao povo a lutar por algo que não é o que parece ser, qual seria a consequência para a população quando esta descobre que viveram por um bom tempo acreditando numa farsa? Batman terá que lidar com este problema, e tem sua recompensa recebida. O final é tão sensacional e com atuações tão memoráveis neste momento do filme, que sempre ficaremos com um gostinho de quero mais. Pontas soltas foram deixadas. A lenda do Batman chega ao seu fim, de maneira épica, espetacular. O guardião de Gotham enfim tem a sua reputação recebida. Christopher Nolan nos mostrou o Batman que queríamos ver, um herói, ao contrário de outros, de carne e osso, que luta por um ideal, e histórias e vilões bastante humanizados, com temas bem contemporâneos, personagens memoráveis, e sem dúvidas, uma conclusão extraordinária, sendo este o melhor da trilogia. Cenas de ação inesquecíveis, em especial uma das lutas de Batman contra Bane, onde na qual presenciamos o desenrolar da luta, e o único som é a água do rio correndo ao fundo. Destaque também para a sequência do prólogo, de tirar o fôlego.
A trilha sonora de Hans Zimmer merece um parágrafo a parte. Este conseguiu superar o espetacular trabalho feito no filme anterior, dando um tom melancólico ao filme em certas cenas.
Christopher Nolan fecha a trilogia com chave de ouro. Um filme épico, com cenas de ação fantásticas, e com carga emocional presente. A lenda do Batman chega ao fim, mas será esta a única lenda que Gotham já presenciou ou poderão vir mais?
Nota: 10
P.S. Como prometido pelo diretor, o Coringa não é citado uma única vez neste filme, como forma de preservar a memória de Heath Ledger. O que eu vejo por aí são muitos comparando o Coringa com Bane. Mas não é possível compará-los, são personagens bem distintos. O único fato é que cada um, ao seu modo, estará para sempre marcado na história do cinema.
Curiosamente, o nome "Mulher Gato" jamais é mencionado no filme.
Ah, os fãs do Batman se lembrarão de ligações diretas com a HQ "A queda do morcego",dentre outras...
Abaixo, os comentários muito coerentes do crítico Pablo Villaça sobre a cena final do filme.
Batman: O Pião Continua a Girar?
Christopher Nolan esteve muito, muito perto de criar, em O Cavaleiro das Trevas Ressurge, um final tão ambíguo quanto aquele de seu longa anterior, A Origem – e caso tivesse encerrado a obra enfocando o sorriso de Alfred no café em Florença e evitado mostrar o que o mordomo vira, o diretor enviaria o público para fora da sala de projeção mergulhado em dúvidas: teria o personagem de Michael Caine visto Bruce Wayne? Seria uma solução orgânica e elegante que permitiria interpretações diferentes de acordo com o temperamento de cada espectador – exatamente como a dúvida que concluíra Inception.
Mas, claro, não é isso que ocorre: após o sorriso de Alfred, vemos Bruce Wayne e Selina Kyle. Os dois homens acenam um para o outro e o mordomo se levanta para abandonar o local com uma alegria inquestionável estampada no rosto. Seu querido patrão (e, mais do que isso, filho) sobrevivera e reconstruíra a própria vida. Exatamente como ele sonhara e descrevera anteriormente na narrativa.
E é justamente por ter enfocado Alfred descrevendo esta fantasia que O Cavaleiro das Trevas Ressurge permite a indagação: seria aquela imagem real? Teria o personagem de Caine realmente visto Bruce em Florença? Ou seria esta apenas uma manifestação de seu desejo?
É possível interpretar a cena como um sonho, não há dúvida: para começar, Selina Kyle está vestindo uma roupa azul – o único instante do filme no qual usa um figurino que não é dominado pelo preto. Da mesma forma, Bruce veste uma camisa de cor alegre, que se contrapõe às cores sóbrias que costuma vestir. Isto para não mencionarmos que a reação de Wayne e Alfred, um leve aceno de cabeça seguido pela partida deste último, é no mínimo implausível considerando o carinho que sentem um pelo outro e o que aquele encontro representa. Sim, dizer que tudo se resume a uma fantasia do velho empregado da família Wayne não é um absurdo tão grande – e, mais do que isso, representa um desfecho dramaticamente eficaz.
No entanto, é igualmente factível interpretar o contraste nas cores do figurino como sendo uma representação da nova vida criada por Bruce e Selina. E Alfred pode ter se afastado para respeitar a privacidade do antigo patrão, já satisfeito em sabê-lo vivo. E, claro, precisamos considerar que o roteiro se preocupa em incluir uma cena que traz Lucius Fox (Freeman) descobrindo que Wayne consertara o piloto automático do helicóptero, o que explicaria (com muito boa fé por parte do espectador) a escapada do herói – mesmo que possamos perguntar como a nave sobrevivera quase intacta à explosão da bomba e à queda subsequente.
Em outras palavras: se o desfecho de A Origem era de uma ambiguidade calculada, aqui esta depende mais do público do que do cineasta, que, sejamos honestos, claramente enxerga um futuro otimista para seu protagonista.
Mas esta é a beleza da Arte: ela só se completa com a participação do observador. E eu, particularmente, prefiro completá-la com a morte de Bruce Wayne.
E vocês, o que acham desta teoria?
domingo, 22 de julho de 2012
Bellucci é bi em Gstaad
Thomaz Bellucci conquistou seu terceiro título de ATP da carreira neste domingo, em Gstaad, pela segunda vez. O brasileiro derrotou e "vingou" a derrota sofrida diante de Janko Tipsarevic em Stuttgart por 6/7(6), 6/4 e 6/2. Esta foi a quinta vitória deste sobre um top 10. Assim, o paulista irá com tudo para a Olimpíada que começa nesta sexta-feira, e de quebra, volta ao top 40.
É impressionante a capacidade deste cidadão de ir do céu ao inferno. Tipsarevic abriu 2/0 no primeiro set, Bellucci devolveu a quebra, mas o sérvio acelerou e abriu 4/1. O brasileiro correu atrás do prejuízo, igualou em 4/4, e ambos foram confirmando seu serviço até o tie break. Neste, o brasileiro abriu 6/1, e de forma incrível, perdeu sete pontos seguidos, e o sérvio fechou o set após uma dupla falta totalmente bizarra do brasileiro. Confira o vídeo no final.
Conhecendo o Bellucci por "amarelar" em momentos importantes,me irritei bastante com o acontecido, achei que depois desta o sérvio iria passear no segundo set. Incrivelmente, o brasileiro manteve a cabeça no lugar, jogou melhor e fechou o segundo set por 6/4.
No terceiro set, Tipsarevic sentiu o baque. Errando muito, e Bellucci, com a confiança no lugar e vibrante, fechou o jogo com autoridade para garantir seu terceiro título de ATP da carreira, se igualar a Fernando Meligeni e Jaime Oncins, com a mesma quantidade de títulos no circuito profissional.
Bellucci embarca para Londres com um título de ATP e um título de Challenger na bagagem, muito confiante, e quem sabe, não ir longe nos Jogos Olímpicos. VAMOS BELLUCCI!
Repetindo o que disse anteriormente: o talento de Thomaz Bellucci é inegável, seu comportamento mental é que não o deixa ascender mais no circuito. Algo como o que aconteceu no tie break do primeiro set não é algo comum, felizmente o brasileiro achou um caminho para se recuperar. No terceiro set, usou até mesmo alguns slices(aleluia!) ao invés de jogar sempre agressivo. Atitude correta, no tênis é necessário força, mas tática, categoria são indispensáveis também. Ah, felizmente, este hoje também subiu bem à rede.
Desde Santiago 2010 que o brasileiro não levantava um título de ATP 250. Foram dois anos instáveis, com derrotas dolorosas pela Davis, contra tops 10, mas felizmente o brasileiro voltou ao caminho dos trilhos, e irá agora para Londres, buscar a medalha de ouro.
QUE VENHA A OLIMPÍADA!
O último ponto do primeiro set, após dupla falta do brasileiro sacando reto, na outra área. Uma pergunta na descrição do vídeo: a pior dupla falta da história? Eis a questão.
sábado, 21 de julho de 2012
Nadal fora de combate e as chances de Bellucci na final de Gstaad
Rafael Nadal, atual campeão olímpico, anunciou a desistência da Olimpíada de Londres 2012 devido a uma tendinite nos joelhos, que o deixou fora das quadras por 15 dias, possa ter influenciado em sua eliminação precoce em Wimbledon, e o fez cancelar o jogo exibição contra Novak Djokovic marcado para o último dia 14 no Santiago Bernabéu.
Não é a primeira vez que algo assim acontece com o espanhol. Aos 26 anos, sua carreira é marcada por títulos, e também por muitas lesões. A mais grave provavelmente ocorreu em 2009, onde após perder nas oitavas em Roland Garros, ficou de fora de Wimbledon, só voltando nos Masters americanos pré US Open.
Em 2010, o problema nos joelhos foi contornado com a descoberta de um tratamento com plasma enriquecido pelo Dr. Mikel Sanchez. O tratamento consiste em injetar plasma enriquecido com fatores de crescimento no joelho do jogador, e deu muito certo. O espanhol fez o melhor ano da sua carreira, conquistando os três Masters no saibro,o ATP 500 de Barcelona, Roland Garros, Wimbledon e o US Open. Antes da temporada de saibro deste ano, Nadal se tratou desta mesma forma, e fez uma campanha perfeita no "saibro vermelho". Conquistou em sequência o Masters 1000 de Monte Carlo, o ATP 500 de Barcelona, o Masters 1000 de Roma e um inédito heptacampeonato em Roland Garros. Após isto, parecia ser o favorito para Wimbledon. Mas, seu calcanhar de Aquiles voltou a dar as caras... Fez um estreia instável contra Bellucci, e foi eliminado surpreendentemente por Lukas Rosol na segunda rodada. Nadal, por ser dono de um jogo dependende do físico, seu corpo fica mais suscetível a lesões... O espanhol ficou 15 dias de repouso, tentando se recuperar a tempo para o grande evento esportivo que se inicia na próxima sexta-feira, chegou até a receber a bandeira na qual carregaria na abertura, mas para a surpresa de muitos, anunciou que não poderá estar presente... O mesmo declarou ser este "um dos momentos mais tristes da carreira"
O espanhol também seria o porta-bandeira da Espanha na Olimpíada. O próprio declarou que sonhava com este dia, certamente a maior honra que um atleta pode ter numa cerimônia de abertura olímpica. A notícia caiu como uma bomba em seu país natal, onde lá este é o maior símbolo esportivo do país, um exemplo de esportista, de superação, de nunca desistir.
Rafael Nadal, agora 3º do ranking da ATP, deverá voltar ao circuito profissional apenas no Masters de Cincinnati, o último deste porte pré US Open.
Sem o atual campeão de Roland Garros, o tênis sai perdendo com esta ausência. A Olimpíada não contará com um dos principais atletas desta edição, e ficará sem um dos melhores tenistas da história. E por que não dizer que as chances de certos tenistas irem mais longe sem o espanhol por perto são relativamente maiores?
Para saber mais sobre a lesão que deixou Rafael Nadal fora de Londres, clique aqui http://www.tenisnews.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=48402
Thomaz Bellucci, ex-top 20, que havia sofrido uma queda considerável no ranking, vem embalado após o título no Challenger de Braunschweig há duas semanas e a semi em Stuttgart semana passada, buscará a revanche contra Janko Tipsarevic e o bi em Gstaad amanhã. Com condições semelhantes a Madri, a cidade suíça favorece o jogo do brasileiro, já que a quadra se torna um pouco mais rápida. O brasileiro foi derrotado pelo sérvio na última semana, por 4/6, 6/2 e 4/6. Se não fosse tão avoado mentalmente seria um jogador bem melhor do que já é. Quando vem em grande fase, infelizmente é temporária, basta uma derrota precoce em outro torneio para este embalo ir embora e demorar bastante pra voltar. Bellucci já derrotou Murray, já chegou perto de derrotar Djokovic, Federer, abriu 4/0 contra Nadal em WB, poderia ter vencido aquele set, mas se afobou quando foi quebrado, e o espanhol é o espanhol. Caso Bellucci vença amanhã, dependendo da chave em Londres, acredito que este possa até ir longe na Olimpíada. É manter o foco, sacar bem, cometer poucos erros, usar mais slices, e principalmente, não dar aquelas subidas à rede totalmente displicentes, como fez algumas vezes na semana passada. Seus "approaches", infelizmente, ainda são um problema a ser solucionado, pois perdeu pontos fáceis desta forma semana passada. Venceu o segundo set com autoridade, por 6/2, e num momento mental a seu favor, foi quebrado de cara no primeiro game do terceiro set, e não conseguiu reparar o erro. O brasileiro chega a final sem perder sets, acredito que sua confiança estará ainda maior do que no duelo passado contra Tipsarevic, e acho que o paulista possa até mesmo vencer em sets diretos. Esta semana, o brasileiro enfim derrotou Mikhail Youzhny, para quem havia perdido ano passado em um jogo épico de 5 horas pela Copa Davis, e num momento excelente, já que Brasil x Rússia em breve se enfrentarão de novo, desta vez no saibro em Ribeirão Preto.
Com o bi em Gstaad, o paulista poderá se igualar a Fernando Meligeni e Jaime Oncins com três títulos de ATP conquistados na carreira. O primeiro fez seis finais deste nível. O maio vencedor brasileiro, é claro, Gustavo Kuerten, nosso eterno tricampeão de Roland Garros e número 1 do mundo, com vinte títulos em vinte e nove decisões, que recentemente entrou para o Hall da Fama do tênis. O maior vencedor do circuito é Jimmy Connors, com 107 títulos em 158 finais, um aproveitamento de 67,7%. Roger Federer vem em quarto, e Rafael Nadal em décimo. VAMOS BELLUCCI!
Abaixo, o brasileiro Bellucci com o troféu do ATP de Gstaad, em 2009.

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