domingo, 30 de junho de 2013
Crítica de "O Homem de Aço"
O ano era 1978. Superman- O Filme estreava nos cinemas. Apesar das limitações tecnológicas, o filme foi uma unanimidade, um dos melhores filmes de super-herói já feito. Christopher Reeve ficou eternizado no papel do herói, assim como Gene Hackman como Lex Luthor, como uma atuação brilhante como o irônico vilão. John Williams, também responsável pela trilha sonora de "Star Wars", "Tubarão", entre outros, deixou sua marca. O roteiro era do genial Mario Puzo, responsável por trazer, com a direção de Francis Ford Coppola a trilogia "O Poderoso Chefão" nos anos 80. Puzo também escreveu o roteiro da sua continuação, que foi um filme tão bom quanto seu antecessor, se não fosse as cenas de humor pastelão tiradas da cabeça do diretor Richard Lester, que dirigiu a pífia sequência deste. Melhor nem falar do quarto filme...
Em 2006, agora dirigido por Bryan Singer, presenciamos "Superman-O Retorno". Ao contrário de muitos, achei um bom filme. Brandon Routh esteve à altura de Christopher Reeve, assim como Kevin Spacey de Gene Hackman, e apesar da longa duração, foi um satisfatório retorno do Homem de Aço aos cinemas.
Um ano antes, Batman Begins estourava nos cinemas. O início da trilogia mais bem sucedida de um super herói nos cinemas foi uma unanimidade, assim como suas duas sequências, duas obras primas. Foi um respiro aliviado da DC Comics, após ver a Marvel no topo com Homem-Aranha 1 e 2.
Em 2012, "Os Vingadores" da Marvel foi um sucesso absoluto. A DC também fecharia a trilogia do Batman com sucesso no mesmo ano. Faltava a última ficha, um filme da Liga da Justiça. E, para isso, resolveram recriar a história do herói kryptoniano. Chamaram Zack Snyder para a cadeira de diretor. Talentossísimo, dirigiu "300'' e Watchmen. O produtor seria Christopher Nolan, o diretor da espetacular trilogia do Batman. O roteiro, de David Goyer, que escreveu o roteiro da trilogia do Homem-Morcego ao lado de Nolan. A trilha sonora desta vez ficaria a cargo de Hans Zimmer, responsável também pela trilha do Batman.
Então, com tudo conspirando a favor, chegou, enfim, o momento de assistir ao filme, com as expectativas estratosféricas. E o resultado pra mim, foi decepcionante...
Zack Snyder, com exceção de três ou quatro cenas isoladas, parece que não teve liberdade para filmar como queria. As cenas de ação que deveriam ser grandiosas, mais pareciam ter o dedo de Michael Bay, tamanha destruição sem fim causando monotonia ao filme e o deixando sem ritmo. Nova York(Metropolis) parece ter sido mais atingida do que no filme "O dia depois de amanhã". 50% da cidade destruída só pra mostrar o poder que Superman e Zod têm e a destruição que poderiam causar? Realmente, um menino de 4ª série acharia interessante colocar isso no seu filminho de escola. Nave alienígena saindo tentáculos e perseguindo o Superman por quilômetros???
Sobre as atuações: Henry Cavill não está mal como Superman. Sim, como Superman, porque o fator Clark Kent é deixado de lado o filme inteiro, só vindo a tona no último ato. Filmar algumas cenas e berrar loucamente na maioria delas é algo que faria bem. Amy Adams não me convenceu muito como Lois Lane. Sua personagem saiu do estereótipo de mocinha indefesa, mas me parece que ele não deu tudo de si na atuação, tal qual Marion Cotillard em Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Então, ela não é aquele par romântico de super herói que criamos uma identificação como Mary Jane no Homem-Aranha. Até com Margot Kidder, a Lois Lane original, criei mais simpatia! E sobre o Zod de Michael Shannon, apesar de ser mais complexo que o Zod do filme de 1981, me pareceu caricatural mesmo assim. O achei um vilão comum, que abusou do privilégio dado pelo Sol a este. Sua obsessão pelo Superman o fez destruir uma cidade inteira. Pobre Nova York que sempre sobra de pano de fundo pra isso! Como se não bastasse, o Zod tem um exército de kryptonianos com naves ultra-avançadas que parecem ter sido ideia de Steven Spielberg.
Russell Crowe está bem como Jor-El, cujo papel já foi de Marlon Brando. O roteiro traz diálogos idênticos ao do filme original de 1978. Sei que pode ter sido uma homenagem, que seria bem-vinda, mas mostra de qualquer forma que faltou inspiração a David Goyer.
A cena final, mostrando aquele lado do Superman que todos queremos ver, dá uma sobrevida a este filme e nos deixa esperançosos que a continuação será melhor.(mas por favor, olha a maneira que ele consegue o emprego!!!!! será que é tão fácil assim exercer esta profissão?)
Superman está de volta. De uma forma não muito convincente. Sobre este filme, será 8 ou 80. Ou você o amará ou o odiará. Infelizmente, tive de ficar com a segunda opção. Zack Snyder e Christopher Nolan certamente podem fazer mais que isso. E espero que se redimam na continuação.
Nota: 5
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Crítica de "Homem de Ferro 3"
No ano de 2008, fomos apresentados pela primeira vez nas telonas a Tony Stark, um gênio, bilionário, playboy e filantropo. Mostrou todo o surgimento do Homem de Ferro, a partir da fuga da sociedade dos "10 anéis", até a construção do Vingador. Destaque para a grande atuação de Robert Downey Jr. que parece ter nascido para o papel, e Jeff Bridges como Obadiah Stane.
Em 2010, veio a continuação. Agora com Mickey Rourke como vilão, o filme tem uma excelente primeira metade, mas a partir do segundo ato, este perde o ritmo, tornando-se monótono e arrastado, até chegarmos ao satisfatório desfecho.
Nesses 5 anos, também foram lançados filmes sobre Thor, Capitão América e Hulk, para preparar a todos para a reunião de alguns heróis da Marvel em "Os Vingadores", que hojem curiosamente, faz 1 ano que estreou nos cinemas.
Pois bem, no primeiro longa da Marvel pós "Vingadores", este peca no mesmo aspecto de seu "anterior": nas piadinhas exageradas, bobas, infantis, dando a entender que o filme é focado para um público desprovido de inteligência. E sobrou logo pra Jon Favreau, que fez um excelente trabalho como diretor no primeiro e segundo filme sobre o Homem de Ferro. Aqui, seu personagem Happy Hoogan, o segurança de Tony, tem uma participação forçadíssima no início do filme, apenas pra passar o tempo, mostrando uma personalidade que não condiz com o personagem nos filmes anteriores. Também há uma cena com Tony que lembra outra ridícula de "Homem-Aranha 3". Por favor, Marvel, será que não é possível essa puxação de saco para o humor pastelão? O filme perde muito devido a isto. Sei que há crianças assistindo, mas não é pra tanto... É devido a um acontecimento com este que o filme segue adiante.
De volta a seus papéis estão Don Cheadle, como o amigo de todas as horas, Cel. James Rhodes, e Gwyneth Paltrow como Pepper Potts, a namorada do herói. Somos apresentados a Ben Kingsley, ator vencedor do Oscar, na pele do vilão Mandarim. Bom, não posso falar do personagem sem soltar spoilers, então só vou dizer que é alguém surpreendente, e quem está esperando um vilão fiel ao dos quadrinhos vai sair frustrado. Guy Pearce vive Aldrich Killian, personagem de importância vital para o longa, e James Badge Dale vive Eric Savin, um garoto, para mostrar a relação entre um garoto e seu ídolo super-herói. Quem conhece bem as HQs vai perceber uma semelhança com um certo vilão numa das cenas iniciais...
O filme foca no lado humano de Tony Stark, e as consequências pós Nova York em sua pessoa, e também na ligação terrorismo-mundo ocidental, com o Mandarim espalhando o pânico por lugares estratégicos, como mostrado nos trailers.
O longa foi roteirizado e escrito por Shane Black, de "Máquina Mortífera", sendo este apenas o seu segundo trabalho como diretor. O resultado foi satisfatório, apesar de algumas cenas exagerarem na ação e efeitos visuais. Curiosamente, é o 5º filme de Black que se passa no Natal. O roteiro está bom, apesar de ter achado que poderia ter se aprofundado mais no psicológico do personagem principal. Ah, há um furo bem considerável em uma cena importante do filme.
No desenrolar do filme, temos uma reviravolta sensacional, e no final, quando tudo já está explicado, o vilão explica tudo de novo, como se o espectador não fosse capaz de entender tudo perfeitamente bem sem saber os detalhes...
Stan Lee está lá com sua costumeira participação especial. A cena pós créditos também está lá, mas por mim é bem descartável. O 3D é convertido, e eu recomendaria, sim.
Um vilão aterrorizante, um herói abalado mentalmente, erros e acertos de roteiro, no fim, é o filme que supera o seu antecessor, e um bom final de trilogia para um dos heróis mais conhecidos da Marvel. Thor: O mundo sombrio e Capitão América 2 estão a caminho, é só aguardar!
Nota: 8,5
domingo, 21 de abril de 2013
Destronado
O rei de Mônaco Rafael Nadal caiu. Foram 8 títulos consecutivos, 46 vitórias consecutivas, títulos de 2005 a 2012. Quem o destronou foi o número 1 Novak Djokovic, aquele mesmo que fora facilmente derrotado na final do ano passado. Foi a 3ª vitória do sérvio sobre o espanhol no saibro, em 16 confrontos nesta superfície. Assim, o tenista de Belgrado torna-se o único, junto de Gaston Gaudio, a vencer Rafael Nadal 3 vezes nesta superfície. Agora, o H2H entre esses dois gigantes do tênis mundial mostra 19 x 15 em favor do tenista de Manacor.
Djokovic começou o jogo furioso. Abriu 5/0, apesar de alguns games chegarem em 30/30, e quando todos pensavam que Nadal ia sofrer o primeiro "pneu" em 7 anos no saibro, o espanhol elevou o nível e diminuiu para 5/2. O tetracampeão na Austrália enfim confirmou em 6/2 após 8 set points desperdiçados.
No segundo set, este seguiu sem quebras até o 5º game, onde Nadal conseguiu a quebra e abriu 4/2. Dois games depois, o tenista de Belgrado empatou em 4/4, e chegamos em 5/5. Neste games, com dois erros de revés, Nadal quebrava o saque do adversário e sacaria pra levar o jogo ao terceiro set. Só que fez seu pior game de saque na partida, onde nenhum primeiro seviço entrou, e o sérvio fez seu tradicional estrago nas devoluções. No tiebreak, foi totalmente dominado e levou um inapelável 7/1. Festa do sérvio, que desta vez comemorou bem mais discretamente do que costuma.
No meu último post, disse que quem vencesse hoje, causaria uma ferida profunda no seu adversário. Pois bem, esta derrota poderá abalar a confiança do espanhol, pois estava acostumado a vencer MC no início da temporada de saibro. Agora, Djokovic mostra que terá chances iguais com o heptacampeão de Roland Garros lá em Paris. Ah, foi apenas a 21ª derrota do número 5 do ranking em mais de 200 partidas no saibro.
Uma estratégia por parte do Djokovic que sempre dá certo desde 2011 é o saque aberto no revés do espanhol,quando da direita pra esquerda. A maioria das bolas neste saques foram lá, e parece que Rafael Nadal ainda não percebeu isto, perdeu alguns pontos importantes assim...
Novak Djokovic, que pôs em dúvida sua participação em Mônaco após se lesionar durante a Davis, volta pra casa(em Mônaco mesmo) com o troféu e o sentimento de revanche da final de 2012. Só acho um pouco estranho todo esse suspense para ver se joga ou não e jogar tão bem até o fim. Todos os méritos pra este que derrotou Nadal no saibro mais lento do circuito e certamente na quadra mais difícil de derrotar o "Rei do Saibro"...
Para Nadal, que acaba de ser destronado, seria bom pular Barcelona e voltar apenas em Roma, já que vem alegando dores nas costas desde a última quinta-feira. Será por isso que o 1º serviço falhou bastante hoje?
O tênis ganhou muito com este jogo hoje. Vimos que Rafael Nadal está aí após tanto tempo longe das quadras, e haverão muitos outros confrontos contra Djokovic por aí... Até o próximo!!!
sábado, 20 de abril de 2013
Feridas profundas
Neste
domingo, Rafael Nadal e Novak Djokovic se enfrentam na final do
Masters 1000 de Monte Carlo. Será uma reedição da final do ano
passado, vencida com até certa facilidade pelo espanhol. O primeiro
vem em grande fase após longo período afastado do circuito, e
ganhou mesmo o Masters de Indian Wells, algo considerado inimaginável
pois acabara de retornar e estava há quase 3 anos sem um título na
hard. O sérvio, número 1 do mundo, venceu o Australian Open mais
uma vez, mas após isso, não foi bem em Indian Wells e Miami.
Durante a Copa Davis, sofreu uma lesão que pôs em dúvida sua
participação em Monaco. Problema aparentemente contornado, aqui
está ele na decisão mais uma vez.
O retrospecto no saibro é de 13 x 2 a favor do espanhol. As únicas vitórias do tenista de Belgrado foram em 2011, onde emplacou seis vitórias seguidas em cima do adversário e mais uma na final histórica em Melbourne no ano seguinte. Será a reedição da última final. Nadal defende 1000 pontos, e o sérvio 750. Mais um desafio para a hegemonia do “Rei do Saibro”, que tenta um eneacampeonato histórico. Tem 46 vitórias e apenas 1 derrota no Principado, mas amanhã as chances do sérvio estragar a festa são maiores que no ano passado. A quadra muito lenta, de saibro, ao nível do mar, favorece o jogo do número 5 do ranking. Durante a semana, o sérvio perdeu 1 set a mais que seu adversário, onde precisaram passar por verdadeiros testes ao menos uma vez antes de chegar à decisão.
Para nós, fãs do tênis, que ficamos tanto tempo sem presenciarmos esses dois gigantes do esporte se enfrentando, só teremos a ganhar!
domingo, 17 de março de 2013
"Eu voltei..."
“Eu voltei!
Agora prá ficar
Porque aqui!
Aqui é meu lugar
Eu voltei pr'as coisas
Que eu deixei
Eu voltei!...”
São com os versos acima da música de Roberto Carlos “O portão” que começo a escrever sobre o 3º título de Rafael Nadal em Indian Wells. O espanhol, que voltou mês passado ao circuito depois de 7 meses, levantou o terceiro troféu em quatro torneios disputados neste ano. A história (re)começou a ser contada no Brasil Open, onde sagrou-se bi, e em Acapulco onde foi campeão absoluto. A conquista do ATP brasileiro, foi importantíssima para o espanhol deslanchar na carreira em 2005, e parece que a história está se repetindo.
Nestes 7 longos meses, ouvimos rumores que Nadal voltaria no US Open, o que não se concretizou, rumores que voltaria no Australian Open, que não se concretizou, e até mesmo rumores sobre uma aposentadoria precoce do espanhol. Depois da derrota na final de Viña Del Mar, aquela parecia ser, para os céticos, o início do fim
Após Acapulco, nada mais natural que Nadal parasse por um tempo e voltasse apenas em Monte Carlo, pois o retorno era precoce, e a superfície de cimento seria mais agressiva para seu joelho em recuperação. Até mesmo site chegou a anunciar, erroneamente, que o canhoto espanhol não disputaria o primeiro Masters da temporada. Mas, ele surpreendeu a todos e resolveu arriscar. E foi um tiro certeiro no escuro!
Na estreia, sofreu um pouco no primeiro set, mas jogou bem no segundo e passou. Na terceira rodada, avançou automaticamente por desistência do adversário. Nas oitavas, teve uma parada duríssima contra o valente Ernests Gulbis e precisou de 3 sets pra avançar.
Nas quartas, ocorreu o 29º confronto contra Roger Federer, e pela 19ª vez triunfou, diante de um adversário longe da forma física ideal. Na semi, jogou muito bem contra Tomas Berdych e venceu em sets diretos.
Na grande final, enfrentou Juan Martín Del Potro, que vinha embalado por vitórias consecutivas sobre Murray e Djokovic, inclusive acabando com a série invicta de 22 vitórias do líder do ranking.
Debaixo do forte calor californiano, o tenista de Manacor abriu 3/0 no 1º set, sendo agressivo e o adversário ainda buscando seu melhor jogo. Teve a chance de abrir 4/0, mas foi quebrado após bobear no 40/30, e a partir de então, o argentino ganhou confiança e passou a fazer seu jogo, com direitas poderosas. Mantendo o embalo, empatou o set em 3/3. Passou a subir à rede, bateu com mais força na bola e chegou a uma nova quebra contra o espanhol. No décimo game, fechou em 6/4.
A tática do espanhol era atacar a esquerda do rival. Mas, o momento era do argentino, que abriu 3/1 no segundo set e se encaminhava para o primeiro título de Masters 1000 da carreira. Só que do outro lado da quadra estava Rafael Nadal, vencedor de 11 Grand Slams, 599 vitórias na carreira, sedento pelo título para coroar de vez seu retorno as quadras após a parada forçada. No sexto game, devolveu a quebra, acelerou seu jogo e fechou em 6/3.
No terceiro e decisivo set, o tenista de Tandil, aparentando nervosismo, errou mais, e Nadal, mais inteiro fisicamente, conseguiu uma quebra. No penúltimo game, o argentino ainda salvou bravamente 3 match points até confirmar, mas no game seguinte o número 5 do ranking enfim fechou, se atirou ao chão, e vibrou como se fosse a primeira vez.
Foi o 22º título de Masters 1000 do agora tricampeão de Indian Wells, retomando a liderança e o recorde de torneios deste tipo conquistados. Pra ficar melhor, ainda foi a 600ª vitória na carreira, o que o torna o 20º tenista mais vencedor da história. Também, foi o primeiro título do espanhol numa quadra hard desde Tóquio 2010.
Assim, Nadal, que deverá pular Miami e voltar só em Monte Carlo, ultrapassa David Ferrer, e é o novo número 4 do mundo. Já Del Potro permanece como sétimo melhor do ranking, desperdiçando a chance de ascender a sexta colocação em caso de título.
O fenômeno Rafael Nadal, 26 anos, que tem o outro “fenômeno” Ronaldo como seu ídolo, tal qual o último deu a volta por cima após uma lesão seríssima, mostrou a todos que está, incontestavelmente de volta!
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
Ombro inconveniente
Thomaz Bellucci acaba de perder por 4/6 6/4 6/1 para o número 166 do mundo no ATP de Buenos Aires. Nada animadora a fase do número 1 do Brasil, que foi vaiado em casa semana passada em São Paulo.
O tenista de Tietê vem sofrendo com dores crônicas no ombro desde a pré temporada. Claramente o planejamento não foi bem sucedido, e isso se reflete no seu desempenho nas quadras. Seu treinador Daniel Orsanic revelou que o brasileiro está fazendo um trabalho de correção de postura com seus fisioterapeutas, que esperava que evoluísse na pré-temporada, o que não ocorreu. Para o mesmo, está descartada a hipótese de uma cirurgia.
Estas dores estão interferindo no desempenho do brasileiro, que não consegue ser regular no saque, sendo quebrado diversas vezes, e compromete também sua movimentação em quadra, fazendo assim, jogar abaixo do seu nível habitual. Para ter uma ideia sobre o momento deste, desde o Australian Open 2012, na primeira rodada, que o paulistano não vence uma partida de Grand Slam, e desde outubro, quando perdeu nas quartas para Federer na Basileia, não tem uma boa sequência. De lá para cá, foram derrotas na estreia no Masters de Paris, derrota na estreia no Challenger Finals, tendo abandonado em seguida, derrota na 3ª rodada em Auckland, derrota na estreia no Australian Open. Só venceu o Guilherme Clezar, top 200, e o Isner este ano, que voltava de contusão e não estava 100%, e o Lukas Lacko na estreia em Auckland. Seu retrospecto esse ano é 3-4.
Ora, se a fase não é boa, se o tratamento de correção de postura não está funcionando, por que não parar um pouco, fazer uma cirurgia e voltar com tudo? Seria a melhor solução do que jogar no sacrifício abaixo do normal, continuar perdendo precocemente, cair no ranking e a confiança do brasileiro, que nunca foi seu grande trunfo, desabar de vez.
ATENÇÃO, ORSANIC!
Como da última vez
O ano era 2005. O espanhol Rafael Nadal, então top 40, e pouco conhecido no circuito, iniciava uma arrancada como poucas antes vistas na ATP. Na Costa do Sauípe, triunfou no Brasil Open daquele ano, no que foi o primeiro de muitos outros títulos que ainda viriam, inclusive seu primeiro RG meses depois, e a consequente chegada à vice liderança do ranking.
Estamos em 2013. Dessa vez, a cidade é outra, São Paulo, mas o mesmo Brasil Open. O agora multicampeão Rafael Nadal disputava apenas o segundo torneio no ano, após 8 meses parado devido a uma lesão que o deixou fora de todo o segundo semestre de 2012. Vinha do vice campeonato em Viña del Mar, e buscava na maior cidade brasileira voltar ao (habitual) caminho dos títulos, e por que não, simbolizar um novo começo em sua carreira.
Polêmicas com superlotação do ginásio, irregularidade nas quadras e reclamações com a bola utilizada à parte por enquanto, o já considerado Rei do Saibro triunfou, empurrado por uma apaixonada torcida brasileira que provavelmente o fez se sentir jogando uma Copa Davis.
A altitude da cidade somado ao fato de ser uma quadra indoor, Nadal teve dificuldades de adaptação a quadra no início do torneio, pois estava em condições muito mais rápidas que a do torneio no Chile que havia disputado na semana anterior.
Por isto, o espanhol teve de superar os adversários, a quadra e o sempre incômodo joelho, vítima da tendinite, que o fez abdicar do torneio de duplas.
Passou com dificuldades que normalmente não teria na maioria dos jogos. Com sua movimentação comprometida e revés, e ainda sem a confiança em dia, poderia ter saído derrotado contra Carlos Berlocq, mas o adversário sucumbiu sacando em 4/5 no 3º set. Contra a zebra Martin Alund, também perdeu set, mas se impôs no último set e chegou a decisão. O mesmo admitiu que nas semis foi quando sentiu mais dores, e neste dia foi realmente quando apresentou seu pior tênis no campeonato.
Então, chegou a grande final. O adversário era David Nalbandian, curiosamente seu parceiro nas duplas, ex top 3 e que tinha 2 vitórias sobre o espanhol em 6 confrontos. Para a alegria dos fãs e para o bem do tênis, foi quando jogou melhor, se movimentou melhor, jogou mais solto, mais agressivo, e isto se refletiu no placar do 1º set: 6/2.
No segundo, o argentino voltou melhor, mais agressivo, e rapidamente abriu 3/0. Mas, Rafael Nadal mostrou por que tem um mental diferenciado, correu atrás, empatou em 3/3, destruindo o adversário mentalmente. Depois disso, Nalbandian cometeu um festival de erros, viu seu adversário vencer mais 3 games seguidos, e conquistar o bicampeonato do Brasil Open.
Sensacional a expressão de Sebastian e Toni Nadal, pai e tio de Rafael, respectivamente. Ambos, que sempre foram contidos nas suas comemorações, desta vez estavam bastante emocionados, assim como o espanhol, refletindo sobre os duros meses que esteve longe dos holofotes, dando mais um grandioso exemplo de superação como poucos. Como em 2005, talvez tenhamos presenciado um novo começo na carreira do espanhol. Foi o 51º título na carreira do heptacampeão de Roland Garros, o 37º no saibro.
O próximo compromisso do atual número 5 do ranking será Acapulco, ATP 500 a partir do dia 25. Lá, teremos a presença de David Ferrer, dentre outros tenistas bem rankeados, e vamos ver até onde o espanhol poderá chegar desta vez. Depois, tem no calendário os Masters de Indian Wells e Miami, disputados em quadras rápidas, o que não seria a melhor opção para este no momento, e acredito que só deverá voltar mesmo em Monaco. O espanhol, apesar de tudo, analisará sua situação após Acapulco.
Sobre as polêmicas do torneio
Provavelmente tivemos ingressos vendidos em quantidade superior ao de assentos existentes no Ginásio do Ibirapuera. O resultado: espectadores sentados nas escadas, até mesmo, lamentavelmente, durante a final, onde desembolsaram cerca de 300 reais para prestigiá-la. Também, tivemos telespectadores invadindo a seção reservada à imprensa. Sobre as condições da quadra, a organização do evento alega que não teve tempo suficiente para "montar" a quadra, já que o Ginásio é usado geralmente para jogos de basquete, vôlei e futsal por exemplo. Bom, que resolvam isto para o próximo ano. Não pude presenciar o torneio ao vivo, mas vi relatos que dentro do ginásio fazia um calor absurdo, outro ponto a se lamentar. A bola, a princípio, era leve demais, e não favorecia a troca de bolas.
Algo bastante errado, a meu ver, foram as vaias a alguns tenistas. Apesar da torcida brasileira estar corretamente insatisfeita com Thomaz Bellucci, que todos sabemos ser um bom jogador, mas incrivelmente instável no quesito mental, pois venceu um jogaço contra Isner numa hard indoor na Davis, e na outra semana vence apenas 5 games numa partida e é eliminado de forma melancólica jogando no seu país, devemos respeitar todos os tenistas. Em nenhum outro lugar do mundo tenista algum é vaiado, mesmo que seja seu compatriota e perca por 6/0 6/0. Acho que alguns precisam de umas aulas de etiqueta...
Que algo assim não se repita nos grandes eventos esportivos que estão por vir...
Tricampeonato de Bruno Soares
Ao lado de Alexander Peya, o brasileiro conquistou pela 3ª vez o Brasil Open. Este reclamou bastante do fato de ter sido "escanteado" para a Mauro Pinheiro durante toda a semana, mas certamente ter jogado a final na quadra principal fez a grande diferença, com a torcida empurrando bastante a dupla. Foi o 7º título seguido do brasileiro, que comprova sua grande fase, e até o momento mantém o sonho de disputar o ATP Finals em novembro.
Adeus de Ricardo Mello
Ricardo Mello foi por algum tempo o tenista número 1 do Brasil. 3 vezes semifinalista do Brasil Open, sendo derrotado em 2005 por Rafael Nadal em um jogo memorável, pendurou as raquetes após ser derrotado por Martin Alund na primeira rodada. Seu melhor ranking da carreira foi o de número 50, jogando a Copa Davis pelo Brasil em 2005, 2006, 2007 e 2010. Seu único título ATP foi o de Delray Beach, em 2004, tendo vencido também 15 torneios Challengers. Sua melhor participação em um Grand Slam foi no US Open 2004. Aos 32 anos, se aposentou com 146 partidas na carreira, sendo 58 vitórias e 88 derrotas, acumulando mais de 1 milhão de dólares em premiação. VALEU RICARDO!
Rafael Nadal, com 18 anos, levantando seu troféu do Brasil Open 2005, na Costa do Sauípe.
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