segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Com um toque do destino

Andy Murray se tornou o primeiro britânico desde Fred Perry, em 1936, a vencer um Grand Slam. Este já tinha quatro finais em torneios deste porte no currículo. Até este ano, havia chegado em três delas sem vencer um único set. O talento deste cidadão sempre foi inegável, mas o mental o impedia de dar o último passo que faltava para deslanchar de vez.

Desde o início do ano, o nº 3 do mundo passou a ser treinado por Ivan Lendl, multicampeão de Majors. Quis o destino que que a história do mestre se repetisse com o pupilo. Andy Murray, na quinta tentativa, assim como Lendl, triunfou no US Open, desbancando o então campeão Novak Djokovic em um jogo épico que durou quase 5 horas, em 5 sets, 4 deles jogados em altíssimo nível e com os nervos à flor da pele.

No primeiro set, Murray chegou a quebrar o serviço do adversário, mas o nº2 do mundo conseguiu devolver. Num tie break dramático, após desperdiçar 6 sets points, em jogadas marcadas por longuíssimos rallys e pontos incríveis, o tenista de Dunblane fechou em 12/10. Importante lembrar que o vento voltou a incomodar ambos os tenistas, tal qual aconteceu nas semifinais. Quem estava no lado de baixo da quadra, ficava contra o vento e confirmar seu serviço tornava-se um verdadeiro martírio.

Sentindo o momento, Djokovic voltou errático, e viu o adversário abrir 4/0. Mesmo contra todos os prognósticos, o sérvio ressurgiu, empatou em 4/4. Ambos confirmaram seu saque uma vez, o britânico confirmou outra, e na tentativa de levar o jogo a mais um tie break, o tenista de Belgrado cometeu dois erros e viu o adversário abrir dois sets de vantagem.

Andy estava a um set da glória. Para Djokovic, o bi ficava mais distante. A última vez em que uma final masculina foi vencida por um tenista após estar com dois sets de desvantagem foi em 1949, pré Era Aberta.

A terceira parcial foi nervosa. No terceiro game, o sérvio conseguiu a quebra, e abriu 3/1. Ambos foram confirmando o serviço até 5/2, quando o vice-líder do ranking conseguiu mais uma quebra e forçou mais um set.

Logo no primeiro game, houve nova quebra para o sérvio. Ambos foram confirmando até 4/3. O jogo ganhava contornos dramáticos, a torcida enlouquecia, as namoradas dos tenistas estavam histéricas... No nono game, nova quebra no saque de Murray levou o jogo ao quinto e decisivo set.

A cabeça do escocês certamente estava a mil nessa hora. Sinceramente, achei que este iria tremer. Mas ele mostrou a todos porque é outro tenista, manteve a cabeça fria. Conseguiu uma quebra e a consolidou, abrindo 3/0. Mas, o sérvio, incansável e que nunca se dá por vencido, devolve uma destas e o placar mostrava 3/2. O britânico confirmou no game seguinte, e conseguiu nova quebra. Estava a um game de quebrar um tabu que já durava mais 3/4 de século. A Grã Bretanha enfim estava prestes a comemorar novamente outro título de seu conterrâneo num dos torneios mais importantes do circuito profissional de tênis.

Djokovic, que não é bobo ainda pediu massagem e tentou esfriar o jogo. Mas quem voltou frio foi o escocês, mostrou frieza no serviço, fechou, e comemorou(discretamente) o primeiro título de Slam da carreira.

Andy Murray, seguindo os passos de Ivan Lendl, tão criticado outrora, enfim pode afirmar que tem um Grand Slam, e assim deverá obter um respeito incontestável de todos nós. Assim, agora teremos quatro favoritos brigando por cada um dos títulos de Slam, o que só promete deixar o circuito cada vez mais emocionante.


Nos últimos 5 US Open, tivemos cinco vencedores diferentes. Há muito também não tínhamos quatro campeões diferentes em cada um dos Slams no mesmo ano. Em 2012, cada um do top 4 venceu um.

Parabéns também a Novak Djokovic. Não conseguiu conquistar o seu Slam, mas esteve dois sets atrás, esboçou uma reação, mas não foi além. Parabéns ao sérvio pela grande campanha, jogou com muita raça, em alguns momentos se atirou ao chão, 3 finais de Slam no mesmo ano não é pra qualquer um!

Sobre o ranking: Murray ultrapassou Rafael Nadal, com 8570 pontos contra 7515 do espanhol, que defendia a final. O suíço Roger Federer reina pela 295ª semana, e se afastou de Djokovic. Eliminado nas quartas o suíço teve descontado 360 pontos, já que defendia a semi do ano passado, enquanto o sérvio teve descontados 800 pontos, já que defendia 2000 do título.

Com isso, a vantagem de Federer aumentou para quase 1,4 mil pontos, mas daqui pro ATP Finals o tenista de Bottmingen ainda tem muito a defender.

O top 10: Nadal em quarto, e em seguida, David Ferrer, Tomas Berdych em sexto após a semi no US Open, Jo-Wilfried Tsonga em sétimo, Juan Martin del Potro em oitavo, Janko Tipsarevic em nono e John Isner em décimo.

Sob os olhares de Sean Connery o eterno James Bond, e após árdua luta, momentos memoráveis e joelhos ralados, Andy Murray cumpriu sua missão: conquistar Nova York!

domingo, 9 de setembro de 2012

Final, tabu e coincidências




Nesta segunda-feira, Novak Djokovic e Andy Murray se enfrentam na grande final do US Open 2012, repetindo a semi do Australian Open e da Olimpíada. O retrospecto mostra 8 x 6 para o sérvio. Este ano, ambos se enfrentaram quatro vezes, com duas vitórias para cada. Djokovic venceu a semi dramática na Austrália, em 5 sets, e triunfou também em Miami. O britânico venceu em Dubai e na semi olímpica, onde jogou o melhor tênis da carreira. Na "hard", vantagem sérvia por 6 x 4.

Esta final certamente poderia ter ocorrido neste domingo. Com o iminente tornado que passou por NY neste sábado, a organização poderia ter colocado as duas finais simultaneamente, o que não ocorreu, obrigando a partida entre Djokovic x Ferrer a ser interrompida no final do primeiro set, quando o espanhol vencia por 5/2. Desde 2007, a final masculina acontece na segunda-feira. Todos nós sabemos o quanto é prejudicial para o público, organizadores, televisão... Sem contar a chuva que novamente voltou a incomodar. Este fenômeno natural já foi contornado na Austrália e em Wimbledon. Dinheiro não falta para a organização cobrir o Arthur Ashe, quem sabe falta coragem... Voltando a semi, o espanhol vinha se adaptando melhor ao vento, mas, no reinício do jogo nesta tarde, Djokovic venceu melhor e virou em 4 sets.

Murray, que também se adaptou bem às condições adversas, venceu Berdych de virada em 4 sets, que havia surpreendido Roger Federer na fase anterior.

O sérvio, na terceira final de Slam neste ano(ganhou na Austrália e foi vice em RG), tentará seu sexto título Major.

Murray, mais uma vez, tentará quebrar a seca de mais de 70 anos de jejum que um britânico não leva um Slam. Este tem quatro finais de torneio deste porte no currículo, e perdeu todas. Vale lembrar que seu treinador Ivan Lendl também perdeu as quatro primeiras finais de Major antes de vencer a primeira. Será apenas uma coincidência?

Djokovic vem jogando muito bem até aqui, apesar de não ter repetido nenhuma vez esta temporada as atuações inspiradíssimas do ano passado. Apesar disso, vem solto, confiante, após decepcionar na Olimpíada.

O escocês, que pareceu entrar meio "avoado" em alguns jogos, terá mais uma chance para conquistar um Major, que lhe falta no currículo, e que por este fator é tão criticado. Depois da final olímpica, ele é certamente outro jogador, "aparentemente" mais maduro e que certamente poderá fazer bonito nesta decisão, com a cabeça no lugar, confiante, como fez durante toda a final olímpica. Jogar agressivamente é o melhor caminho. Apesar de mais maduro, ainda acho que seu mental é uma bomba-relógio, visto que quase rasgou o short na semifinal.
O jogo será imprevisível,decidido nos detalhes, também no mental. Todos nós esperamos um grande espetáculo de tênis na maior quadra de tênis do mundo. Djokovic conseguirá seu sexto Slam ou Murray, agora nº 3 do mundo, repetirá os passos do seu treinador?

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Federer cai. Soares faz história.


Tomas Berdych repetiu o que havia feito em Wimbledon 2010: derrotar Roger Federer em um Grand Slam, melhor de 5 sets. O tcheco, que vinha em queda livre desde a final perdida para o próprio suíço no Masters 1000 de Madri, reencontrou sua melhor forma em Nova York.

Quem começou afiado na partida foi Federer. No primeiro game, quebrou de cara o serviço do adversário. Porém, a igualdade voltou no oitavo game. Assim, o set foi decidido no tie break, e o placar foi um inapelável 7/1 para o theco.

No segundo set, Berdych manteve o ritmo, conseguiu duas quebras, com o suíço devolvendo uma delas. Na segunda oportunidade, estava a seis games da vitória.

No terceiro set, Federer esteve mais consistente, e aproveitando a queda de rendimento do adversário, levou o jogo ao quarto set.

Com o momento a favor do suíço, o theco mostrou cabeça fria, soube lidar com a pressão, conseguiu a quebra em 4/3 e no game seguinte fechou a partida.

Berdych tem a tática certa para derrotar o recordista de Slams. Seja jogando agressivo, mudando a direção da bola, este tira o suíço da sua zona de conforto. Mas, foi perceptível que o suíço não jogou bem ontem. Faltou os costumeiros slice, sua arma para sair de situações delicadas, algo que não vimos nesta última noite.

É a primeira vez desde 2003 que Federer não chega às semis do US Open. Esta é a primeira vez, tambem, desde Roland Garros 2004 que um Major não tem Nadal ou Federer nas semis.

Com a quinta vitória em dezesseis confrontos contra Federer, Berdych enfrentará o campeão olímpico Andy Murray na semi. O theco tem quatro vitórias em seis confrontos contra o britânico. Se este último quiser voltar à decisão em Flushing Meadows, terá que jogar bem melhor do que jogou em sua última partida. Marin Cilic o vencia por 1 set a 0 e 5/1 no segundo set, mas se perdeu no jogo, e o escocês conseguiu a virada. Este vem se dando melhor nas rodadas noturnas, do que nas diurnas.

E, agora há pouco, Bruno Soares conquistou o título das duplas mistas ao lado de Ekaterina Makarova, derrotando a dupla cabeça 4. O brasileiro e a russa, passaram pelos irmãos Bryan no caminho, inclusive aposentando definitivamente a belga Kim Clijsters do circuito. O brasileiro receberá uma premiação de R$75.000 pelo título, e virá muito confiante jogar a Davis contra a Rússia, que não contará com Nikolay Davydenko. O acaso formou estes campeões. O brasileiro tinha combinado formar time com a musa australiana Jarmila Gajdosova, mas ambos não tinham ranking para atuarem juntos, pois a lista é feita pelo ranking combinado da dupla.

Foi um jogo nervoso, com parciais de 6/7 (8-10), 6/1 e 12-10. A dupla do brasileiro teve duas chances de fechar o primeiro set, mas foram quebrados. No tie break, perdeu por 10/8. Voltaram fulminantes no segundo set, por pouco não aplicando um pneu. No match tie break, abriram 8/4, viram os adversários reagirem. O jogo ficou mais dramático ainda, e após salvaram dois championship points, brasileiro e russa festejaram.

Assim, o mineiro torna-se o quinto brasileiro a triunfar em um Grand Slam, ao lado de Maria Esther Bueno, Guga, Thomaz Koch(duplas mistas) e Tiago Fernandes, campeão juvenil do Australian Open 2010.

PARABÉNS BRUNO!!!!


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Palpites para o US Open 2012


A 125ª edição do US Open de tênis ocorrerá dos dias 27 de agosto ao dia 9 de setembro. O torneio aconteceu pela primeira vez em 1881 e é disputado em quadras hard, em Newport, Rhode Island. O torneio feminino foi disputado pela primeira vez em 1887. Em 1903, Lawrence Doherty é o primeiro estrangeiro a vencer o torneio. Em 1919, o torneio é transferido para a cidade de Nova York, e em 1926 um francês, René Lacoste, torna-se o primeiro estrangeiro não falante do inglês a triunfar no US Open.

O torneio foi disputado em quadras de grama até 1974, depois em saibro verde entre 1975 e 1977. Em 1997, o estádio Arthur Ashe é inaugurado, podendo acolher 23 500 espectadores, o maior do mundo.

Os maiores campeões são Richard Sears, William Larned e Bill Tilden, todos com sete títulos.

Curiosamente, é o único Slam em que o quinto set possui tie break.

Eu mantenho as esperanças que este torneio, o mais valioso em termos de premiação, consiga uma melhor organização depois da "várzea" do ano passado, devido às chuvas constantes. Este inconveniente natural obrigou, pelo segundo ano seguido, a final masculina de simples ser disputada apenas na segunda-feira, e jogos de fases anteriores tiveram que ser disputados em dias consecutivos devido à chuva, impossibilitando aos tenistas o tradicional dia de descanso em Grand Slams. Mantenho as esperanças também de que é possivel sim, cobrir a Arthur Ashe. Sem falar dos problemas de infiltração em algumas quadras devido à estas...

Vamos aos palpites sobre os principais tenistas:

Roger Federer
Ele dispensa apresentações. Vindo do pentacampeonato em Cincinnati e do hepta em Wimbledon e ter recuperado o nº1 e quebrar o recorde de Sampras, o suíço, aos 31 anos, vem jogando de uma maneira tão competente quanto jogou na sua "era de ouro". Seus slices estão mais letais do que nunca, está seguro no saque, e seu ponto fraco, o backhand, também deu uma evoluída. A chave do suíço está boa. Estreará contra Donald Young, um jogador talentoso, mas que perdeu 18 das últimas 19 partidas, quase quebrando o recorde negativo de Vincent Spadea(21). Poderá enfrentar Berdych nas quartas, Murray nas semis e Djokovic na final.

Andy Murray
Considero o britânico o segundo favorito porque, apesar das eliminações precoces em Toronto e Cincinnati(na verdade, desistiu no Canadá), acredito que foram resultado de uma "empolgação pós-ouro olímpico", já que diante do feito acho que jogou um pouco fora de foco, sem saber o tamanho do enorme feito que havia conseguido. Acredito que este voltará focado, e certamente poderá repetir o desempenho. Jogando agressivamente, focado, confiante, com um saque potente será muito difícil pará-lo. Já achei bem provável ele ganhar Wimbledon, o que não ocorreu, embora isto só após os acontecimentos da primeira semana.
Dessa vez, vejo que o atual campeão olímpico está mais amadurecido, certamente aprendeu muito com Ivan Lendl, e o sonho de vencer seu primeiro Slam está mais vivo do que nunca! Mas, para isso, provavelmente terá de passar por Raonic nas oitavas e Tsonga nas quartas.

Novak Djokovic

Apesar do sérvio ser o atual campeão em Nova York e ser o favorito nas casas de apostas, o considero "apenas" o terceiro favorito. Este venceu em Toronto, mas ali era sua obrigação, pois não havia nenhum top 4 no seu caminho e acredito que este torneio não serviu de parâmetro. Este, em Cincinnati, levou um baile de Federer no primeiro set da final, com duplas faltas despretensiosas, cometendo muitos erros e aparentando estar desconcentrado. Embora tenha perdido o set seguinte num tie break equilibrado, acho que seu mental ainda não está em dia devido a seus problemas pessoais, e a derrota na Olimpíada e em Cincinnati. Acredito que este só estará 100% competitivo quando este problema estiver superado. Sei que pode jogar bem mais do que vem jogando... Deverá ter um estreia facil e em seguida poderá enfrentar Rogério Dutra da Silva. Se acontecer, será muito bom para o brasileiro pegar experiência contra um top 10 e jogar na Arthur Ashe...

Juan Martin Del Potro

Campeão do US Open 2009, o argentino se lesionou pouco depois, passou bastante tempo inativo, sofreu uma queda brusca no ranking, mas já voltou ao top 10. Vinha jogando muito bem, deu trabalho para o Federer em Roland Garros e nas Olimpíadas, inclusive se tornou o segundo tenista argentino a conseguir uma medalha olímpica, com o bronze conquistado em cima de Djokovic. Sofreu uma lesão no punho, pôs em dúvida sua presença em Nova York, mas deve jogar. Mas vamos ver até onde ele aguenta ir com esse incômodo. Este é dono de um forehand poderoso, e, num dia em que estiver acertando tudo, já vimos o que este é capaz de fazer. Este estreará contra o compatriota David Nalbandian, no que promete ser um jogo interessante.

Thomaz Bellucci

Deu sorte o paulista no sorteio. Este certamente vem evoluindo, após os títulos em Braunschweig e o bi em Gstaad. Mais firme mentalmente, vem se dando bem em momentos delicados, mas ainda falta mais técnica ao seu jogo, melhorar nas subidas à rede, não trocar muitas bolas e usar mais slices. O seu saque sim, está em dia. O brasileiro enfrentará Andujar na estreia, um freguês, poderá enfrentar Haase ou Lopez na rodada seguinte e, se passar Andy Murray. O paulista venceu o único confronto contra o atual campeão olímpico ano passado em Madri.

Demais tenistas

Com a ausência de Rafael Nadal, David Ferrer deverá ter um caminho mais fácil até as quartas, e acredito que não passará desta. Ele tem jogo para vencer qualquer um, mas falta o mental necessário em certos momentos.
Tsonga tem um jogo de força, mas o mental é outro obstáculo a ser superado também.
Tomas Berdych aparentemente vem em queda livre desde Madri. Depois de perder a final para Federer, foi eliminado precocemente em Wimbledon, na Olimpíada, e nos dois Masters do US Open Series.
Mardy Fish é a principal esperança americana, e a pressão da torcida poderá pesar em momentos delicados.
Não podemos esquecer de jovens como Milos Raonic e outros, que são muito perigosos nestas superfícies mais rápidas, podem vencer os top 4, mas ainda falta um pouco mais de experiência, talvez, para isto ocorrer.

Podemos esperar duas semanas de muito tênis, emoção, e,(tomara) dias ensolarados!

domingo, 19 de agosto de 2012

O favorito


Roger Federer derrotou Novak Djokovic por 2 sets a 0 e conquistou o pentacampeonato em Cincinnati. Com direito a passeio e "pneu" no primeiro set, não resta dúvidas que o suíço é o grande favorito no US Open de logo mais.

Sem tirar os méritos da conquista de Djokovic em Toronto na semana passada, acho que aquele torneio não serviu como parâmetro pois o sérvio era o único top 4 ali presente, e sendo assim cumpriu sua "obrigação" em vencer o torneio.

Evidente é a diferença mental entre o atual Djokovic e aquele do ano passado. Passando por problemas pessoais, provavelmente o fim do relacionamento com Jelena Ristic(notaram a ausência desta na torcida esta semana?), o sérvio em alguns momentos mostra-se desconcentrado, instável e mentalmente desequilibrado. Pelo jeito, quem viu aquele Djokovic 2011, viu, quem não viu, não verá mais.

Federer esteve arrasador nos seis primeiros games. Em apenas 20 minutos, já liderava por um set de vantagem, com diversos erros de Djokovic, inclusive duplas faltas despretensiosas.No segundo set, o sérvio voltou a jogar bem, e Federer fechou a partida num tie break disputado, onde abriu 3/0, permitiu a virada do adversário, mas no fim fechou em 9/7.

Assim, o suíço conquistou o 76º título da carreira, está a um de igualar John McEnroe, se tornou o maior vencedor da história do Masters de Cincinnati, e mais uma vez igualou Rafael Nadal com 21 títulos de Masters 1000.

Curiosamente, Federer x Djokovic se enfrentaram nos dois últimos US Open, com vitória do sérvio em ambas salvando match points. Mas, nestes dois anos, o sérvio vinha em um ano melhor.

Percebemos o quanto problemas pessoais atrapalham a vida de um tenista, Rafael Nadal que o diga em 2009, quando precisou lidar com a separação de seus pais. Na hora em que voltou a ter um equilíbrio emocional, voltou voando, e fez a melhor temporada da carreira. Pelo bem do tênis, espero ver Djokovic com o mental em dia em breve.

Assim, Federer é o favorito para levantar o troféu pela sexta vez em Nova York. O segundo favorito pra mim é Andy Murray, que apesar de não ter feito uma boa campanha esta semana, acredito que estará bem mais descansado para o último Slam do ano, e certamente virá muito confiante após a campanhe espetacular na Olimpíada, sendo coroado com o ouro no final. Novak Djokovic, como sempre, é um dos favoritos, mas terá que melhorar seu jogo em alguns aspectos.

Roger Federer, 31 anos recém-completados, jogando como não jogava há muito tempo. Quem é rei nunca perde a majestade...

domingo, 5 de agosto de 2012

Furioso




Andy Murray dessa vez passeou pela grama sagrada de Wimbledon. Com o placar de 6/2, 6/1 e 6/4, empurrado pela fanática torcida o britânico atropelou Roger Federer, heptacampeão de Wimbledon, vingando de forma maiúscula a derrota sofrida no mês passado, e faturou o ouro olímpico em simples na Olimpiada de Londres, igualando-se ao britânico Arthur Gore, que fez o mesmo nos Jogos de 1908.

De cara, o escocês precisou salvar dois break points no game inicial. Mas, pouco a pouco, foi tomando as rédeas da partida, aproveitando de subidas erradas do suíço, e fechou o set em 6/2.

O décimo primeiro game foi o divisor de águas da partida. Após salvar 6 BPs, já com uma quebra de vantagem no segundo set, Murray confirmou e abriu 3/0. Situação parecida aconteceu na final de Wimbledon, mas lá Federer conseguiu a quebra e cresceu na partida. Assim, Murray venceu nove games seguidos entre o primeiro e segundo set, fechando a segunda parcial em 6/1.

Ele estava a um set da glória. Jogava inspirado, como se tivesse arrumado força digna dos deuses gregos, tamanha agressividade, ousadia, confiança, fúria, e como a bola fora mal tratada neste domingo na capital inglesa...

Nas cordas, Federer melhorou consideravelmente no saque no terceiro set. Mas, com o adversário inspirado, sucumbiu no quinto game deste set, viu o escocês abrir 4/2, e fechar o jogo em 6/4.

Para o suíço, fica a frustração de não conquistar o único título que lhe faltava. Às vésperas de completar 31 anos, acho bem inviável que este venha ao Rio na próxima Olimpíada tentar novamente, já que eestará com uma idade bem avançada para isto.

Andy Murray sempre foi motivo de piada entre os fãs de tênis. Chamado de "amarelão", por nunca ter vencido um Slam, e ser um pouco desequilibrado mentalmente, o britânico, hoje, está mais "amarelado" do que nunca. Agora, tenho certeza que será respeitado por todos, e amarelo como está hoje, ou melhor está coberto de ouro, dignamente, pois sua conquista foi incontestável. Ele merece, por tudo que já passou.

Andy Murray enfim, venceu Roger Federer numa melhor de 5 sets. E que vitória! Certamente será um dos grandes favoritos quando o US Open começar..

O grande trunfo do escocês hoje, foi ter salvado 8 break points, algo que não aconteceu na final de Wimbledon mês passado. Parabéns a Ivan Lendl, méritos dele por melhorar ainda mais um tenista que já era muito bom, no qual só faltava um pouquinho a mais para este deslanchar de vez, e vimos hoje que não falta mais nada agora...

Andy Murray não tem nenhum título de Major, até agora. Mas ele é campeão olímpico, tão campeão quanto tantos outros esportistas em outras modalidades. Esta, é sem dúvida, a maior glória que um atleta pode ter. Hoje, até a Rainha Elizabeth II se curvaria ao britânico. Hoje, ele está no topo!


Andy Murray comemorando o título.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

A hora da revanche?

Roger Federer e Andy Murray, pouco tempo após decidirem a final de simples de Wimbledon este ano, reeditarão a final na competição esportiva mais antiga da humanidade. A Olimpíada, cuja surgimento ocorreu na Grécia Antiga, como uma forma de homenagear os deuses, é a competição esportiva mais importante do mundo. E, nela,só um conquistará o ouro olímpico, e consequentemente a maior glória que um atleta pode alcançar. O campeonato de tênis está sendo disputado na grama sagrada do All England Club, em Wimbledon, certamente o Monte Olimpo do tênis.

O suíço, que vem de uma vitória dramática de virada sobre Juan Martin Del Potro, vencendo o último set por 19/17, já que não há tiebreak no set decisivo. Na Olimpíada, só a final masculina é disputada em melhor de 5 sets. Este tentará o último título que falta a sua gloriosa carreira, pois já conquistou 17 Grand Slams, 20 Masters 1000 e mais alguns ATP Finals. No último mês, igualou-se a Pete Sampras e Willian Renshaw com 7 títulos no Slam londrino, e quebrando o recorde de semanas consecutivas na liderança do ranking do próprio Sampras. Assim, provavelmente sepultou de vez as dúvidas sobre quem é o melhor tenista de todos os tempos. O suíço precisou correr atrás do placar hoje, na partida que acabou por se tornar a mais longa da história olímpica: 4 horas e 26 minutos de duração. No terceiro set, houveram inúmeros 0/30, rapidamente contornados ora com excelentes saques, ora com pancadas indenfensáveis cruzadas por parte do argentino.

Andy Murray é aquele jogador extremamente talentoso, mas que falta algo a mais para este deslanchar de vez no circuito. Este já venceu Masters 1000, chegou a quatro finais de Slam, mas perdeu todas, três delas para Federer. O mental, um verdadeiro obstáculo que separava este dos três primeiros do ranking atual, parece finalmente estar sendo superado. Desde que passou a ser treinado por Ivan Lendl, o escocês vem evoluindo, e mostrou isso hoje ao derrotar o campeão de Wimbledon de 2011 Novak Djokovic por duplo 7/5, jogando de maneira agressiva, corajosa e confiante. Resta agora ao sérvio tentar a medalha de bronze contra Del Potro.

Foi de partir o coração o discurso do britânico após cair diante de Federer em Wimbledon. Seus conterrâneos não presenciam um "igual" levantar o troféu do torneio desde Fred Perry, em 1936, mas mostraram grande respeito ao suíço durante a cerimônia de premiação.

Mais uma vez, Andy Murray terá a torcida a seu favor. Diria que ter jogado duas horas a menos que Federer, às vésperas de completar 31 anos, poderia influenciar no resultado final em caso de um jogo longo, mas este jogará duplas mistas neste sábado. Então, o jogo será decidido no saque. Na grama, esta é a maneira mais rápida de definir os pontos e evitar trocas de bola. Neste caso, o escocês vem muito bem neste aspecto. O ponto fraco do suíço, é como sempre, seu revés.

Jogos memoráveis ocorreram durante esta semana. O fato do jogo ser melhor de 3 sets tornava o torneio mais suscetível a zebras, como a vitória de Nishikori sobre Ferrer, o "susto" que os tenistas top levaram, perdendo um set, mas mostraram porque são diferenciados, virando a partida, algumas dramáticas.

Certamente será um jogaço. Federer, que garantiu o número 1 após a queda de Djokovic, tentará o último título que lhe resta, e Andy Murray tentará se vingar da derrota sofrida no mês passado, no mesmo palco, diante de sua torcida, e tem chances reais de conseguir.