sexta-feira, 22 de junho de 2012

O que esperar de Wimbledon 2012





Nesta segunda-feira, dia 25, terá início o terceiro Grand Slam da temporada: Wimbledon. Ocorreu pela primeira vez em 1877, e atualmente na 126ª edição, já que durante as Grandes Guerras este não ocorreu. Os maiores campeões na "grama sagrada" são William Renshaw, campeão de 1881-86 e 1889, e Pete Sampras, campeão de 1993-2000, ambos com sete títulos. O suíço Roger Federer, considerado por muitos o melhor tenista da história, vem logo abaixo com seis títulos.

Jogos memoráveis já ocorreram na Centre Court: a final masculina de 2008 entre Federer x Nadal, a final de 1980 entre Borg x McEnroe, entre outros. Também, na quadra 18, aconteceu o jogo mais longo da história, em 2010, entre John Isner x Nicolas Mahut, onde o americano triunfou depois de mais de ONZE horas de batalha com a parcial de 70/68 no quinto e decisivo set.

O que esperar deste ano:

Novak Djokovic

O sérvio, primeiro do seu país a alcançar o topo do ranking mundial naquela campanha fantástica do ano passado, e atual campeão no Slam londrino, irá defender seu título com risco de perder o número 1, já que uma queda antes da decisão o faria perder tão respeitado e desejado posto. Repete o que vem fazendo ano passado, não disputando nenhum dos ATPs na grama pré-Wimbledon, apesar de ter disputado uma exibição contra Andy Murray e vencido. O sérvio não está no mesmo nível arrasador do último ano, quando chegou em Londres com apenas uma derrota até então, já tendo sido derrotado 6 vezes este ano, mas continua com jogo para derrotar qualquer um. Resta saber se as sucessivas derrotas no saibro para Rafael Nadal podem fazer a diferença em outra provável final entre ambos. O sérvio, numa entrevista, declarou que estava disposto a comer grama de novo. Fará sua estreia contra Juan Carlos Ferrero, ex-número 1 do mundo.

Rafael Nadal

Recentemente conquistou o heptacampeonato em Roland Garros, tornando-se assim o maior vencedor do Slam francês e corroborou de vez ser o maior saibrista da história. Na grama, tem um bicampeonato em Wimbledon e um título em Queen's em 2008. No ano passado, foi vice-campeão, sendo derrotado por Djokovic em 4 sets. Nos torneios preparatórios, foi derrotado pelo Kohlschreiber nas quartas, talvez pelo pouco tempo de adaptação que teve, mas o próprio declarou que jogar antes o ajudou muito. Vem sacando muito bem, vem jogando com um revés fundo, agressivo também com o forehand, e com a confiança altíssima após os títulos no saibro. Diria que é o favorito... Enfrentará Thomaz Bellucci na estreia. Provavelmente ainda estará um pouco fora de ritmo, e o brasileiro jogará sem pressão, então, acredito que o paulista poderá dar trabalho ao espanhol por 2 sets, até mesmo levando um deles ao tie break. Passando, ainda terá pelo caminho Philipp Kohlschreiber, que o eliminou em Halle, ou Tommy Haas. Nas quartas poderá enfrentar Tsonga, aquele que eliminou Federer após estar 2 sets atrás e ter match points contra Novak Djokovic em Roland Garros. Na semi, poderá ter pelo terceiro ano consecutivo o escocês Andy Murray.

Roger Federer

Sem dúvidas, o maior especialista na grama do circuito. Hexacampeão em Wimbledon, recordista de Slams, considerado por muitos o melhor de todos. Novamente, caiu do mesmo lado da chave de Novak Djokovic,e provavelmente se enfrentando nas semis, o suíço só depende de si para voltar ao topo e tentar quebrar outro recorde de Sampras, o de semanas consecutivas como número 1. Para isso, terá que conquistar o hepta. Em 2011, o suíço foi eliminado nas quartas por Jo-Wilfried Tsonga. Chegou a abrir 2 sets de diferença, mas acabou sofrendo a virada. Como Nadal e Djokovic chegaram a final no último ano, este é quem defende menos pontos entre os top 3. Se o sérvio quiser se manter no topo, terá que chegar a decisão. Para Rafael Nadal voltar ao número 1, terá que torcer para Djokovic cair antes das quartas, e conquistar o tri. Ainda precisa que Federer caia uma rodada antes dele. Acredito que chegará a decisao, já que num provável confronto contra Djokovic poderá levar a melhor, dado o retrospecto deste nesta superfície. Se, na decisão o adversário for Nadal, o mental pode pesar outra vez pro suíço. Seu jogo encaixa muito com a grama, fazendo uso do saque e voleio e seu slice incomodando mais do que nunca, devido ao quique mais baixo da bola nessa superfície... Seu saque também é uma arma mortal, quando em dia...


Andy Murray

Semifinalista em 2010 e 2011, sendo derrotado em ambas por Rafael Nadal , o britânico tentará mais uma vez seu primeiro título de Grand Slam na carreira. Convivendo com dores nas costas, o que o fez cair precocemente nos Masters de saibro, em Roland Garros e em Queen's, tentará quebrar a indigesta marca de, desde Fred Perry em 1936, nenhum outro britânico conseguiu triunfar na grama londrina.

David Ferrer

Considerado um saibrista, apesar de ser um jogador agressivo, nunca obteve grandes resultados na grama londrina, cuja melhor campanha foi nas oitavas em 2006, 2010 e 2011. Acredito que esse ano poderá ir mais longe, atingindo as quartas.

Demais tenistas

Sempre devemos ficar atentos a Jo-Wilfried Tsonga e Tomas Berdych. O primeiro eliminou Federer no ano passado, sendo parado por Djokovic em seguida. O segundo, vice campeão em 2010, eliminou naquele ano Federer e Djokovic em sequência. São aqueles jogadores, em que num dia inspirado, podem derrotar qualquer um dos tops. O francês estreará contra Lleyton Hewitt, campeão de Wimbledon em 2002. O cabeça 8 Janko Tipsarevic enfrentará David Nalbandian depois da polêmica desclassificação do argentino em Queen's após um momento de fúria quando vencia a decisão... Os jovens Bernard Tomic e David Goffin se enfrentarão. O primeiro chegou as quartas no ano passado, enquanto o segundo chegou as oitavas em Roland Garros, tirando set de Roger Federer. Na segunda rodada, poderemos ter John Isner x Nicolas Mahut outra vez.

Que venha Wimbledon!

Abaixo, a foto da placa da organização em homenagem ao "Isnut" ocorrido em 2010. Créditos ao Bruno Federer

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Sua Majestade, Rafael Nadal


Era uma vez um cidadão chamado Rafael Nadal. Aos 19 anos já havia conquistado Roland Garros pela primeira vez, e assim se repetiu em 2006, 2007, 2008, 2010, 2011, e agora, 2012. O espanhol derrotou Novak Djokovic por 3 sets a 1, se tornou o maior campeão da história do Slam parisiense,ultrapasando Borg, e derrotando o seu algoz das últimas 3 finais de Grand Slam, uma vitória maiúscula, para consolidar o título de Rei do Saibro, que muitos contestavam por faltar a hegemonia absoluta em Roland Garros... Não mais...

Em um jogo que começou neste domingo e terminou nesta segunda, vimos nos dois primeiros sets um Nadal focado, agressivo, com um "revés fundo", com grande aproveitamento de saque, e do outro lado, um Djokovic nervoso, errático, e que não encontrava tática pra derrotar o espanhol. No primeiro set, Nadal quebrou o saque do sérvio em duas oportunidades, abriu 3/0, sacou em 40/30 para abrir 4/0, mas desperdiçou a chance. Assim, viu o sérvio crescer, mas no sétimo game, com dupla falta no break point, o espanhol não perdoou mais e fehou em 6/4.

No segundo set, o jogo continuou no ritmo do primeiro, e após paralisações devido a chuva, Nadal fechou o set em 6/3. Após ser quebrado, Djokovic, irritado, descontou a raiva no banco onde senta durante os intervalos e acabou quebrando-a. Mostra de que a confiança absurda de 2011 do sérvio não está mais presente...

No terceiro, que estava encaminhando para ser o derradeiro, Nadal abriu 2/0. Aí, Djokovic relembrou o que havia jogado o ano passado, se tornou brilhantemente agressivo, embalou, aproveitando-se da queda de rendimento no saque e do encurtamente do revés do espanhol, venceu 6 games seguidos e fechou o set em 6/2. Este foi o primeiro set perdido pelo espanhol em Paris e em toda a temporada no “saibro vermelho”.

No quarto e último set, Djokovic, aproveitando-se do embalo, abriu 2/0. Após Nadal confirmar em 2/1, o jogo foi interrompido devido a chuva, sendo reiniciado nesta manhã...

Djokovic, que voltou sacando, cometeu 3 erros e viu Nadal voltar ao jogo. Ambos seguiram confirmando seu serviço, até o 6/5, quando Djokovic cometeu uma dupla falta e viu seu adversário comemorar o hepta inédito com sua família...

Rafael Nadal conquista seu 11º Grand Slam da carreira. Já havia o Career Slam, algo inimaginável para os críticos do jogo deste, que o consideram um saibrista defensivo, e que não possuía jogo para vencer na grama e nas quadras hard. Hoje, ele é hepta em Paris, campeão na Austrália, bi em Wimbledon e campeão nos Estados Unidos. O espanhol está agora, a 5 Majors do recorde de Roger Federer, maior vencedor de Slam com 16 títulos.

Só outros dois tenistas têm heptacampeonatos em Slams na Era Aberta: Pete Sampras em Wimbledon e Chris Evert também em Roland Garros. O espanhol chega a incrível marca de 51 vitórias e apenas 1 derrota no saibro parisiense, e agora brigará pelo título de Wimbledon, perdido ano passado para o próprio Djokovic.

O espanhol certamente já é um dos maiores da história. Não podemos afirmar que chegará ao recorde de Federer, mas certamente, sua trajetória estará marcada para sempre, por ser alguém extremamente competitivo, raçudo, que briga por todas as bolas como se fosse a última... Este é o verdadeiro trunfo do espanhol, e que os críticos destem, de alguma forma, têm que se conformar.

11 vezes Rafael Nadal, 7 vezes majestoso somente em Paris. O espanhol já garantiu a “rotina” que vem acontecendo desde 2005, ganhar ao menos um Slam por ano desde o quinto ano do segundo milênio... . Será que ainda vem mais por aí? Ele mostrou que está de volta, e mais do que nunca, está superada a série de derrotas para o número 1 do mundo.

Ao sérvio, resta lamentar a chance desperdiçada de conquistar o Career Slam, já que vinha de 27 vitórias consecutivas em Majors, e tentar novamente este feito no ano que vem...

São sete as cores do arco-iris, sete são as maravilhas do mundo, sete são os pecados capitais, a semana tem sete dias, e sete são a quantidade de títulos de Rafael Nadal em Roland Garros.


Que venha Wimbledon!


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sexta-feira, 8 de junho de 2012

A final dos sonhos




Nadal x Djokovic. Outra vez. Ambos na quarta final de Grand Slam consecutiva. Se enfrentando pela 33ª vez.Djokovic venceu todas as últimas. Em Paris, o espanhol chega sem perder sets e foi quebrado apenas uma vez. Djokovic se torna o nono tenista da Era Aberta a chegar na final de todos os Slams.

O espanhol lutará pelo hepta, para se tornar o maior vencedor da história de Roland Garros. Atualmente está empatado com Bjorn Borg com 6 títulos.

O sérvio tentará o Career Slam. Poucos já conseguiram este feito. Nadal e Federer foram alguns destes. Consecutivamente, só Rod Laver conseguiu. Este feito também está sendo chamado de “Novak Slam”.

Pelas semifinais, Nadal venceu Ferrer em sets diretos. O canhoto continou mostrando consistência no fundo da quadra, cometendo poucos erros, continou sacando bem, e se aproveitou dos erros e da instabilidade mental do seu compatriota.

Na outra semi, Djokovic x Federer fizeram um jogo feio, com muitos erros e muitas quebras. O suíço chegou a ter a vantagem nos dois sets, inclusive no segundo sacou para abrir 4/0, mas, cometendo muitos erros, viu o sérvio chegar e virar a partida. O natural de Bottmingen se despediu de Roland Garros com quase 50 erros não forçados, quase o triplo do sérvio. Venceu quem errou menos...

O retrospecto dos finalistas mostra 18 x 14 para Nadal. No último confronto, em Roma, o espanhol venceu em sets diretos. No último jogo em melhor de 5, no Australian Open, Djokovic venceu de virada em um jogo memorável de quase 6 horas de duração, onde este dois monstros pareciam dar a vida a cada ponto. No saibro, Nadal tem ampla vantagem por 11 x 2.

Provavelmente a evolução do espanhol contra o sérvio desde Melbourne deve-se ao fato deste ter melhorado consideravelmente seu revés, devolvendo mais forte, consequentemente mais fundo. Ano passado, chegava fraco, atrás da linha do T, e assim facilitava bastante a vida do adversário. O saque também evoluiu, este passou a utilizar mais os slices, e assim seu jogo no fundo de quadra, devido ao aumento de confiança adquirida pelo espanhol, segundo o próprio após a final na Austrália(sim, isso mesmo...)

O sérvio já não é mais aquele destruidor do ano passado, inderrubável mentalmente, bastante consistente, e mosntruoso nas trocas de bola. Está se aborrecendo com mais facilidade, consequentemente errando mais, mas mesmo assim está na decisão de mais um Slam e plenamente tem condições de derrotar o espanhol, mas parar isso terá que jogar bem mais do que vem jogando até aqui. Segundo McEnroe, “Djokovic está sentindo a pressão”.

Se tênis fosse tendência, diria que Nadal venceria antes do quinto set, já que claramente vem jogando melhor que o sérvio, vencendo inclusive 2 Masters antes do torneio e sem perder sets no “saibro vermelho” esse ano, tendo vencido 51 de forma consecutiva. Mas do outro lado estará o vencedor dos últimos 3 Grand Slams. Um lutando pela hepta inédito e outro pelo Career Slam. À história!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

As semis em Roland Garros

Cento e vinte e oito começaram. Só quatro sobraram. As semifinais no Grand Slam francês foram definidas.O número 1 Novak Djokovic enfrenta Roger Federer, recordista de Slams e campeão deste torneio em 2009. E o hexacampeão Rafael Nadal, com uma campanha impecável até o momento, sem perder sets, enfrentará o compatriota e amigo David Ferrer, especialista no saibro.

Federer e Djokovic chegam as semifinais sem passar confiança nos últimos jogos. O sérvio se classificou de maneira heroica, salvando 4 match points e virando o jogo contra um inspiradíssimo Tsonga para chegar a mais uma semi em Paris. Tentará agora chegar a decisão, algo inédito em sua carreira, e de quebra conquistar o Career Slam, feito no qual consiste em vencer todos os Grand Slams, mesmo que em temporadas diferentes. Na história, só sete tenistas conseguiram esta façanha. Entre eles, estão Nadal e Federer. Nas oitavas, chegou a estar dois sets atrás de Andreas Seppi.

O ganhador de 16 Majors vem de vitória sobre Juan Martin Del Potro, após estar 2 sets atrás no placar, no qual conseguiu a virada após aparentemente o argentino sentir o joelho que o vinha incomodando desde a primeira semana. O suíço também perdeu um set nas oitavas, para David Goffin.

O retrospecto entre ambos mostra 14 x 11 para Federer, mas Djokovic venceu os dois últimos. Ambos fizeram jogos memoráveis, 2 deles no US Open 2010 e 2011, onde o sérvio precisou salvar match points antes de alcançar a decisão. Outro jogo memorável foi na mesma Philippe Chatrier, onde Djokovic vinha de uma série espetacular de mais de 40 vitórias consecutivas, e foi parado por Federer, adiando sua ascensão ao topo do ranking mundial. O sérvio venceu os dois últimos confrontos, o último deles no saibro de Roma em sets diretos.

Não apostarei em nenhum, pois certamente, como as outras partidas, será imprevisível. Mas será importantíssimo para Roger Federer o uso do slice, pois em alguns momentos parece que este desconhece este golpe, e trocar bolas com Novak Djokovic não é o melhor caminho... A Djokovic, resta atacar o revés do suíço, onde é claramente o ponto fraco deste, e não cometer tantos erros como na última partida. Aliás, este último vale para ambos...

A outra semi será entre Rafael Nadal x David Ferrer. O malorquino tenta se tornar o maior vencedor da história de Roland Garros. Atualmente, está empatado com Bjorn Borg com 6 títulos. Nadal, após derrotar Almagro, conseguiu sua 50ª vitória no saibro parisiense, e tem apenas 1 derrota, em 2009. Ferrer terá a difícil missão de derrotar seu compatriota no saibro em melhor de 5 sets, algo que somente Robin Soderling já conseguiu até hoje. O retrospecto geral mostra 15 x 4 para Nadal, com o atual campeão em Paris levando vantagem de 13-1 no saibro.

Nadal vem de vitória sobre Almagro em sets diretos. O primeiro sofreu no primeiro set, pois esteve bastante defensivo, e não tao bem nas devoluções, com estas atrás da linha do T, vencendo no tie break por 7/4. A partir do segundo set, jogou mais solto, aparentemente mais confiante, e as coisas melhoraram pro seu lado. Almagro jogou bem, mas faltou o mental como falta para o Ferrer nos pontos importantes contra Nadal. Talvez o jogo defensivo da atual campeão de RG tenha ocorrido por uma questão tática, mas poderia ser também um pouco de nervosismo devido a proximidade da decisão e a importância estratosférica desta... Nadal disparou 36 bolas indefensáveis e cometeu 16 erros.

Ferrer vem de vitória em 4 sets sobre Andy Murray, que não vinha jogando tudo de si devido a uma dor na coluna que o deixou fora do Masters de Roma... Este alcança sua primeira semifinal em Paris, aparentemente algo que já deveria ter acontecido antes, dada a grande experiência deste com esta superfície.


Ambos já se enfrentaram duas vezes este ano, com vitória de Nadal nas duas ocasiões, em Barcelona e em Roma. Ferrer teve chances nestes jogos, mas viu seu adversário jogar muito bem nos pontos importantes, acabou por perder o set e sucumbir mentalmente no outro. É o que falta para o aguerrido número 5 do mundo derrotar um dos, senão o maior saibrista da história.

Promete ser um jogo longo, com muitas trocas de bola. Nadal vem sacando bem no torneio, com o seu revés em constante evolução, com a confiança altíssima após os títulos nos Másters pré RG e ainda não perdeu sets. Ferrer, que perdeu apenas um set até aqui, tentará uma missão aparentemente impossível, derrotar o Nadal em seu torneio favorito em melhor de 5 sets. Jogo para isto não falta, mas um deslize mental pode custar caro outra vez...

A sexta-feira promete!

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A passos (muito) largos


O que Rafael Nadal fez hoje contra Juan Mônaco na Suzanne Lenglen não foi algo comum. O espanhol simplesmente atropelou seu amigo, e segundo o próprio, companheiro de video game,por inapeláveis 6/2 6/0 6/0, uma "bicicleta" no número 15 do mundo. Chega as quartas de final cedendo apenas 19 games, e seu adversário será Nicolas Almagro. Curiosamente, o hexacampeão de Roland Garros venceu este mesmo Almagro em 2008 e 2010 antes de se tornar campeão, também nas quartas...

Após o fim do jogo, ficou bem visível a frustração do Monaco após jogar num nível altíssimo(ao menos no início do jogo), e isto só ter resultado em apenas 2 games a seu favor. O argentino começou muito bem, sendo agressivo, mas a cada reviravolta espetacular no ponto por méritos do espanhol, sua confiança foi minando a ponto de perder DEZESSETE games consecutivos... Nadal, na entrevista pós jogo, declarou: “Monaco é um amigo e pode jogar mais do que hoje”.

É impressionante a diferença no revés do espanhol atualmente para aquele do ano passado. Parece que, com sua confiança em dia novamente, Rafael Nadal (re)calibrou seu revés, não deixando mais buracos nesse golpe, como no ano passado, que, com um revés curto demais, muitos jogadores soltavam o braço, especialmente Djokovic...

Monaco, ao menos nos 2 primeiros games, tentava... Agredia o revés do espanhol, ele devolvia... Colocava o espanhol pra correr, o espanhol devolvia... Deixadinha, o espanhol tava lá...

Hoje, Nadal acertou 23 winners, obteve 71% de aproveitamento na rede e viu Monaco cometer 25 erros não forçados...

Em um jogo com direito a “banana shot”(devolução de bola de dentro para fora da quadra) Nadal mostra que está a passos muitos largos na briga pelo hepta. Faltam 3 para se tornar o maior vencedor da história de Roland Garros. Poderá ser o 50º título do espanhol, que acaba de completar 26 anos. Relembrando que ele ainda está invicto no "saibro vermelho" esta temporada. A final será neste domingo. Será que alguém conseguirá impedir este feito memorável? Até agora, os outros concorrentes não mostraram sinal disso... Vamos aguardar...

segunda-feira, 21 de maio de 2012

I' Imperatore


Rafael Nadal reina em Roma mais uma vez. Após a chuva que castigou Roma no último domingo, a final foi disputada nesta segunda-feira e vimos um Rafael Nadal em dia de imperador incorporando os velhos espíritos destes, confiante, concentrado, com sangue nos olhos e se impondo em quadra mais uma vez para derrotar Novak Djokovic e mostrar quem realmente manda nesta superfície. Certamente o espanhol estava com as derrotas no saibro ano passado engasgadas, e acabou de devolvê-las, com autoridade.

O espanhol mostrou grande poderio mental, e se aproveitou de um Djokovic um tanto quanto cambaleante mentalmente e irritado em alguns momentos para vencer em sets diretos, parciais de 7/5 6/3 em 140 minutos de jogo, e segue fazendo história no saibro ao conquistar o hexacampeonato em Roma em cima daqueles que o trouxe tantos problemas ano passado. Foi a 18ª vitória do espanhol sobre o sérvio em 32 confrontos e a segunda consecutiva este ano. Acabou o reinado do sérvio?

Nadal segue para Paris sem perder um único set no “saibro vermelho”, com a confiança a niveis estratosféricos e um favoritismo incontestável. Hoje, conquistou seu 49º título da carreira, o 34º no saibro, e voltou a ser o recordista de títulos de Masters 1000, com 21. Será o 50º título um hepta inédito em RG?

Nadal jogou de maneira agressiva, conseguindo 2 break points e não aproveitando. Logo depois, quebrou em 3/2, e foi quebrado de volta. Nadal sacava em 4/5, em 30/30, Djokovic dominava o ponto e estava a 2 pontos de fechar o set, quando o juiz de linha marca uma bola fora, o árbitro de cadeira manda voltar e Nadal acabou confirmando em 5/5. E, num 11º game dramático, o sérvio teve 40/15, mas cometeu 2 erros após espetacular resistência do espanhol no fundo da quadra, acabou sendo quebrado, com direito a Djokovic detonando raquete e sendo advertido, e Nadal confirmou e fechou o set no game seguinte...

No segundo set, o sérvio seguia lutando, mas irritado com suas próprias falhas, terminou por cometer muitos erros, e no nono game, não resistiu mais. Com um erro de esquerda, cedeu o match point e viu o espanhol de Mallorca comemorar após uma dupla falta.

Com esta vitória, Nadal volta ao #2 do ranking, e fica a menos de 2 mil pontos de Novak Djokovic. O espanhol chegou a 26 vitórias consecutivas no saibro vermelho, mostra mais uma vez que é o Rei do Saibro, e Paris será o centro das atenções pelas próximas duas semanas. Um, lutando pelo hepta inédito. O outro, lutando pelo Career Slam na carreira, e pode também vencer 4 Slams consecutivos, algo que desde Rod Laver em 1969 alguém nunca repetiu. E claro, Roger Federer tentando conquistar mais um Grand Slam, algo que não conquista desde 2010, e Andy Murray na sua incessante busca pelo seu primeiro título de Major.

Que venha Paris!

sábado, 19 de maio de 2012

O teste final



Roma... Uma das cidades mais antigas da História da humanidade, por onde já passaram verdadeiros mitos nos quais já ouvimos falar... Amanhã, esta mítica cidade será palco de mais um Rafael Nadal x Novak Djokovic, duas lendas do tênis mundial, no qual será o último teste antes do que promete ser o melhor torneio de Roland Garros dos últimos anos, com o sérvio lutando pelo tão sonhado Career Slam no saibro parisiense e o espanhol pelo inédito heptacampeonato.

Ambos já se enfrentarem em jogos memoráveis, um deles naquela epopéia na final do Australian Open, onde os dois se transfiguraram em gladiadores famintos, sedentos pela vitória a qualquer custo, com a Rod Laver Arena se tornando o Coliseu romano e as raquetes tornando-se a mais letal das armas que já existiram, fazendo a cada golpe desta um ferimento profundo no oponente.

Nadal vem de vitória sobre David Ferrer. O jogo foi parecido com a final de Barcelona, ocorrida há umas 3 semanas, ao menos no primeiro set. Nadal tinha dificuldades para confirmar o serviço, precisou salvar 9 break points, e seu compatriota mais uma vez esteve muito consistente, disparando pancadas de forehand e complicando a vida do número 3 do mundo. Mas, Nadal mostrou grande frieza nos momentos importantes, sua marca registrada, e fechou o primeiro set num tie break disputado por 8/6. No segundo set, o mental do Ferrer o deixou na mão, e Nadal aplicou um acachapante 6/0 para chegar a sua sétima final no Foro Itálico.

Djokovic vem de vitória sobre o até então embalado Federer, que vinha de título no saibro azul de Madri. O sérvio esteve muito consistente, e aproveitou o suíço num dia errático, aplicando fáceis 6/2 no primeiro set, mostrando-se consistente no saque e se defendendo bem numa superfície mais lenta. Djokovic sacou pro jogo em 5/4 no segundo set, foi quebrado, mas no tié break fechou a partida em 7/4.

O confronto direto aponta 17 x 14 para o espanhol. No último confronto entre ambos, há pouco mais de um mês em Monte Carlo, Nadal enfim voltou a derrotar o número 1 depois de uma série de 7 derrotas consecutivas, inclusive três vice campeonatos consecutivos em Grand Slam. O sérvio, que jogou aparentemente um pouco desconcertado após o falecimento do seu avô naquela mesma semana, não conseguia conter o jogo agressivo, consistente e com muitos slices do adversário, cometendo erros que não costuma cometer. No saibro, Nadal tem grande vantagem, vencendo 10 de 12 partidas nesta superfície.

O atual campeão de Roland Garros chega a final de Roma sem perder um único set em todo o “saibro vermelho” neste temporada, tendo faturado o título em Monte Carlo e Roma. Djokovic este ano já conquistou o Australian Open e o Masters de Miami. Ainda tem a defender algo em torno de 6 mil pontos esse ano.

Será, como sempre um grande jogo, onde Nadal buscará um bom aproveitamento de saque para evitar longas trocas de bola, e onde Djokovic tentará atacar bastante o revés do espanhol, algo que fez com grande eficácia no ano passado.

Em caso de título do Nadal, ele retoma o posto de número 2 do mundo perdido na última semana para Roger Federer. Nadal já defendeu os pontos da final do ano passado, e o sérvio defende o título de 2011. Nadal luta pelo hexa, para escrever mais um capítulo em sua espetacular história no tênis e no saibro, e ainda pode retomar a liderança isolada entre os maiores campeões de Masters 1000.Atualmente está empatado com Federer com 20 títulos. Poderá ser o 49º título da carreira do espanhol. Djokovic luta pelo tri em Roma, buscando aumentar a níveis estratosféricos a expectativa para Roland Garros, em caso de vitória sobre o espanhol. O sérvio busca o 31º título da carreira e o feito de ser o primeiro a derrotar Nadal 3 vezes no saibro. Será este jogo um ensaio para a batalha final que está por vir em Paris? Vamos aguardar!